Viseu.
Foz Côa.
Pinhel.
Leiria.
Batalha.
Coimbra.
Quinta da Cruz
quinta-feira
05Jul2018
21h30
Elenco

Sarunas Sapalas, Onegin
Monika Mych, Tatyana
Rui Silva, Prince Gremin
Paulo Lapa, Encenação e Desenho de Luz
Ana Berta Cardoso, Figurinista
Henrique Silveira, Narração
Orquestra da Ópera no Património
José Ferreira Lobo, Direção Musical

Tchaikovsky, nascido em 1840 e falecido em 1893, marcou indelevelmente o romantismo russo. Esta obra, Yevgeny Onegin ou Eugene Onegin, como se costuma escrever entre nós, foi a sua quinta ópera, composta entre 1877 e 1878 e estreada a 29 de Março de 1879, no teatro Maly (Pequeno) do Conservatório Imperial de Moscovo e, por escolha de Tchaikovsky, que pretendia uma interpretação muito simples mas também muito autêntica, realizada por elementos do Conservatório Imperial de música dirigidos pelo famoso Nikolai Rubinstein. A ópera veio a ser estreada no Bolshoi dois anos depois com orquestra e cantores profissionais.

A obra começou a tornar-se extremamente popular devido a Gustav Mahler, que dirigiu a ópera em Hamburgo em 1892, com Tchaikovsky presente, numa interpretação tão veemente e empolgante que o compositor afirmou que Mahler deu à ópera uma vida nova declarando que “Mahler não é um homem vulgar, é um génio com uma paixão ardente pela direcção musical”.

Tchaikovsky era um admirador de Pushkin, um escritor admirável, que todo o bom russo conhece desde os bancos da escola, e o seu romance oferecia dificuldades evidentes de adaptação que têm a ver com a sua extensão e a descontinuidade temporal do poema original. Quando a cantora lírica Andreyevna Lavrovskaya, um meio soprano de belíssima voz encorpada, lhe propôs o tema, Tchaikovsky hesitou, acabando por se lhe entranhar a ideia de forma quase obsessiva. Optou então por fazer cortes na narrativa e apresentar a ópera em episódios da vida de Onegin, tal como poderemos apreciar hoje. Uma das razões residia na fama do texto de Pushkin, o público familiarizado com a obra literária facilmente saberia colmatar as lacunas entre os episódios, nomeadamente com a visita de Tatyana à mansão de Onegin, e a questão filosófica posta por esta sobre se Onegin existe realmente ou se é apenas uma colagem de diversos personagens literários, um eco pretensioso dos livros que ornamentam a casa do protagonista? Cabe ainda ao público recriar a viagem de Onegin, apresentando apenas o reencontro posterior com Tatyana já casada com Gremin.

Uma das vantagens da obra de Pushkin, nascido em 1799, era a construção da novela em verso, o que permitiria uma adaptação quase literal para a linguagem operática. O poema de Eugene Onegin foi escrito nos anos vinte do século XIX, com edição definitiva de 1837, ano da prematura morte do poeta. A novela em verso compõe-se de 389 “sonetos” de 14 versos, fazendo distinção entre versos femininos e masculinos, e com uma sequência de rimas muito pouco habitual, mas de grande musicalidade e ritmo, uma forma cultivada quase única e exclusivamente por Pushkin. O escritor aborda a convenção social, nomeadamente com a iniciativa de Tatyana, que se declara a Onegin, violando as regras de então, algo que deve ter deixado o convencional personagem principal numa posição desconfortável, contribuindo para a rejeição deste relativamente à “ousada” jovem.

Pushkin aborda as relações sociais, a hierarquizada sociedade rural russa e a estrutura onde a alta nobreza ainda dominava as relações, bem acima da nobreza rural, da burguesia e do povo, aborda ainda as relações humanas e as tensões e os dramas psicológicos, elementos fundamentais da força literária russa. Tatyana era provinciana, embora de boas famílias, não estaria numa posição social digna de Onegin, que não é capaz de ver para além da convenção, ao contrário do mais sábio príncipe Gremin, homem mais velho e de posição ainda mais elevada, que despreza as convenções e toma a vida como se lhe apresenta, facto aliás genialmente retratado na sua célebre ária do último acto que todos os russos aprendem também nos bancos da escola e que qualquer baixo russo sonha em cantar um dia.

Todo o texto de Pushkin é de uma riqueza literária tal que apenas um compositor da envergadura de um Tchaikovsky poderia transformar o poema original numa ópera digna do texto literário. O libreto é uma adaptação do próprio Tchaikovsky e de Shilovsky, que escreveu o texto da cena de Triquet, os versos da cena do príncipe Gremin foram escritos pelo próprio Tchaikovsky, note-se que com elevadíssimo estilo, o compositor também escreveu o arioso de Lensky. No entanto, a maioria do texto é original do próprio Pushkin, o que, não nos cansamos de repetir, confere ao conjunto da ópera um valor artístico, como obra de arte total, perfeitamente admirável.

A composição arrancou a partir da cena da carta de Tatyana, segunda cena do primeiro acto, Tchaikovsky viu as potencialidades expressivas desta cena antes de qualquer outra do poema de Pushkin e concebeu um trecho de altíssimo nível artístico que é um cavalo de batalha de todos os sopranos, depois foi desenvolvendo a escrita a partir deste núcleo, nomeadamente reaproveitando alguns temas para utilizar noutros pontos da ópera. A música desta cena descreve e comenta a urgência de Tatyana escrever e declarar o seu amor, ao mesmo tempo que pinta subtilmente a sua inocência.

A orquestra, não demasiado extensa, consta de flautim, 2 flautas, 2 Oboés, 2 Clarinetes, 2 fagotes, 4 trompas, 2 trompetes, 3 trombones, violinos, violas, violoncelos, contrabaixos, harpa e tímpanos. O tratamento da mesma é muito elaborado, colorindo de forma muito expressiva os momentos bucólicos, líricos, trágicos, pungentes, festivos ou mesmo pura e simplesmente divertidos, como a cena do professor Triquet, ponto em que a presença do elemento trágico, subjacente, alimenta uma estranha tensão na música, suprema qualidade de Tchaikovsky. Extraordinários momentos musicais de conjunto são o baile na primeira cena do segundo acto em que, no final, Onegin finge que seduz a amada de Lensky, Olga, apenas para irritar o amigo e se divertir com a sua deplorável atitude, seguida da sequência dos ciúmes de Lensky levados ao extremo com o desafio para um duelo.

Será desnecessário escrever sobre a valsa e a escocesa, esta acrescentada posteriormente à partitura, uma vez que a sua fama ultrapassa o contexto estrito da ópera. A inventiva de Tchaikovsky também é notável na escrita para voz, extremamente plástica e exigindo contínuos portamentos expressivos, tão típicos da música e língua russa, pode-se afirmar que Onegin é uma obra sem pontos mortos em que a música e acção se desenvolvem de forma absolutamente inextricável do primeiro ao último compasso.

Deixámos para o final deste texto o papel central de Tatyana, o verdadeiro protagonista da ópera, ao contrário do Onegin do poema original de Pushkin e personagem titular da ópera, porque nunca o compositor poderia alterar o título da obra devido ao seu sacrossanto estatuto. Tatyana é um ser primitivo, livre, assumido, inocente, capaz de superar as dificuldades do seu amor rejeitado por um canalha. Tatyana é um personagem positivo verdadeira antítese dialéctica de Onegin, personagem negativo. A jovem não vive para remoer os erros do passado, é, pois, um personagem sem ressentimentos, curiosamente o ideal supremo de Nietzsche, verdadeiro ser nobre na acepção nietzschiana, capaz de perdoar quando não castiga, capaz de entender o fluir do tempo. Tatyana é o paradigma do personagem evolutivo que Onegin, perdido na sua miserável autocomiseração, não consegue ser. Onegin fica encurralado no tempo e nos seus erros, Onegin é o eterno adolescente imaturo que morrerá sem ter amadurecido. Tatyana, pelo contrário, é a afirmação da sageza, que não é apenas intuitiva, Tatyana teve muito tempo para pensar e crescer, no lapso não mostrado na ópera em que decorre a viagem de Onegin. Isso é evidente na visita que faz a casa deste e que Tchaikovsky não escolheu para integrar a ópera. Meditar, pensar, fazer o luto, partir para a conquista da sua vida e felicidade e, finalmente, partilhar a sua vida com outro homem, mais sábio, mais maduro. No final da ópera, afirmativa, percebe que o amor, sórdido, caprichoso, de Onegin a conduziria ao abismo, não apenas social, que no caso de Tatyana isso é o menos importante, mas, sobretudo, afectivo. Eugene Onegin, por seu lado, termina a ópera a choramingar. 

Sé Catedral
domingo
01Jul2018
21h30
Elenco

Carla Caramujo, Soprano
Rodrigo Carvalho, Barítono
Diogo Rato Pombo, Tenor
Coro Sinfónico Inês de Castro
Orquestra da Ópera no Património
Filippo Arlia, Direção Musical

Franz Joseph Haydn nasceu em 1732 em Rohrau, na Áustria junto da fronteira com a Hungria. De ascendência humilde o seu pai era carpinteiro de rodas e sua mãe tinha servido como cozinheira na casa dos condes de Harrach, os mais influentes fidalgos de Rohrau.

O seu talento natural foi-se revelando apesar de seus pais não saberem música, como em Rohrau não havia qualquer possibilidade de aprendizagem acabaram por enviar o rapaz de seis anos para Hainburg para nunca mais regressar a casa dos pais. O seu tutor foi o seu parente Frankh, mestre de escola e de coro em Hainburg.

Apesar de bom músico e cantor, Haydn foi quase sempre maltratado, depois dos tempos em casa de Frankh foi contratado para o coro da catedral de Viena pelo seu maestro de coro, Reuter, após a mudança de voz foi expulso e posto na rua, sem quaisquer recursos.

Tornou-se um músico livre, dando lições, tocando aqui e ali, fazendo serenatas pagas, aos vinte anos tornou-se acompanhante e criado do compositor Nicola Porpora, com o qual aprendeu verdadeiramente composição. Datam desta altura os estudos de contraponto, a partir dos tratados célebres de Fux e através do estudo da sua grande influência: Carl Philipp Emanuel Bach.

Em 1861, depois de várias posições precárias, o príncipe Paul Anton de Esterházy contratou Haydn como vice-mestre de capela e, após 1766, como mestre de pleno direito. Depois de muitos anos de serviço, Haydn obteve uma espécie de reforma em 1790, com uma pensão de 1400 florins anuais enquanto retinha uma posição apenas formal de mestre-de-capela na corte de Esterházy, o que lhe deu muita liberdade criativa.

Datam deste período final as obras encomendadas para Londres, onde Haydn era imensamente popular. Entretanto Haydn tinha lançado as fundações, ao serviço dos príncipes que serviu a vida inteira, da sinfonia e do quarteto de cordas, bem como o estabelecimento definitivo da forma sonata como primeiro andamento das obras em vários andamentos e de grande fôlego.

Em 1797 Haydn começa a composição desta “A Criação”, segundo o Livro do Genesis, inspirado pelas grandes oratórias de Handel que escutara em Londres. A estreia da “Criação” deu-se em Viena em 1799, a 19 de Março. A oratória divide-se em vários quadros que representam os vários estágios da Criação do Mundo por Deus.

O libreto foi passado por Solomon, o famoso empresário londrino, a Joseph Haydn, mas o autor original continua desconhecido até os dias de hoje embora a inspiração seja o Paraíso Perdido de Milton. A tradução e adaptação do poema a alemão deve-se ao barão Gottfried van Swieten, um diplomata de variados talentos, onde também se incluía a literatura e o conhecimento da língua inglesa.

A obra estrutura-se em partes com recitativos, coros e partes solísticas entregues ao soprano, tenor e baixo, um coro completo a quatro vozes, e com orquestra de 3 flautas, 2 oboés, 2 clarinetes, 2 fagotes, contrafagote, 2 trompas, 2 trompetes, trombones alto, tenor e baixo, tímpanos e o habitual quinteto de cordas e, ainda, um cravo ou pianoforte para os recitativos.

A estrutura é em três partes, Criação da Luz, dos Céus, dos Céus e da Terra, do Sol e da Lua, das Terras emersas e da Água e, finalmente, das plantas. A segunda parte descreve a criação dos animais, do Homem e da Mulher. A parte final descreve Adão e Eva no Jardim do Éden na harmonia do Mundo recém-criado.

Concertos no Património
28Jun2018 quinta-feira

17h00 Museu do Quartzo
Quarteto de Cordas

19h00 Quinta da Cruz
Quarteto de Cordas

29Jun2018 sexta-feira

17h00 Casa do Miradouro - Coleção Arqueológica José Coelho
Grupo de Cordas

21h30 Quinta da Cruz
Ensaio Assistido da Visitação à Ópera Eugene Onegin de Piotr Tchaikovsky

30Jun2018 sábado

18h00 Convento S. Francisco do Monte - Origens
Grupo de Sopros

CATEDRAL DE VISEU | TESOURO – MUSEU DA CATEDRAL DE VISEU

Num dos pontos mais altos da cidade e a coroar uma das mais belas praças do nosso país, encontramos a Catedral de Santa Maria de Viseu. Edificada nos inícios do século XII, associada a um paço condal e a um castelo, a Sé de Viseu sofreu, entre os séculos XIII e XVII, inúmeras transformações. No seu interior podemos observar o primeiro claustro renascentista de Portugal e uma magnífica “abóbada de nós” do século XVI, bem como o braço relicário de São Teotónio, primeiro santo português. No piso superior, na antiga Sala Capitular, encontramos o Museu dedicado ao Tesouro da Sé, cujo acervo retrata os mais de 900 anos da catedral e o Passeio dos Cónegos, uma loggia que oferece uma das mais belas vistas da cidade.

Museu do Quartzo

O Monte de Santa Luzia foi, durante 25 anos, (1961 a 1986) palco, de extração de quartzo pela “Companhia Portuguesa de Fornos Elétricos” de Canas de Senhorim. Como resultado, restou uma grande cratera, uma autêntica “janela para o interior da terra”, tendo sido recentemente aproveitada para a construção deste Museu. Único no mundo, é um centro interativo de exploração do património geológico e natural da região. Com uma forte vertente pedagógica e visitas adaptadas a várias faixas etárias, este é um espaço privilegiado para visitas escolares no âmbito da aprendizagem da geologia, do património natural e da sua proteção e preservação.

Quinta da Cruz

Banhada pelo rio Pavia, é o local onde a natureza e a arte se encontram. Assumindo-se como um verdadeiro centro de arte contemporânea, apresenta exposições temporárias, oficinas criativas e programas para família. A propriedade possui uma assinalável biodiversidade dendrológica onde, além de algumas espécies autóctones, também é possível identificar espécies exóticas.

Casa do Miradouro - Coleção Arqueológica José Coelho

A Casa do Miradouro, um dos mais notáveis edifícios históricos da cidade de Viseu, é datada do século XVI e alberga o espólio arqueológico de José Coelho, ilustre intelectual viseense do séc. XX. A exposição “José Coelho: A Paixão pelo Passado” revela o importante legado de um dos precursores da arqueologia da região de Viseu. Com uma forte componente pedagógica, a exposição privilegia um conjunto de peças que são ícones da nossa história regional. Tenham resultado das suas explorações, ou oferecidas por colegas ou alunos, as peças mostram essencialmente o cuidado e o carinho que José Coelho tinha com todas elas, pois sabia que estas eram apenas parte de um vasto puzzle que tentava reconstituir.

IGREJA E VESTÍGIOS DO MOSTEIRO DE SÃO FRANCISCO DO MONTE

Do antigo mosteiro de São Francisco do Monte de Orgens apenas subsiste a igreja, transformada em paroquial aquando da extinção das ordens religiosas, parte do refeitório, o lajeado do claustro e os perfis da arcaria a Sul, confinante com o templo. Fundado em 1410 por Frei Pedro de Alemanços, natural da Galiza, este mosteiro franciscano teve a sua origem numa pequena ermida dedicada a São Domingos que existia no local onde foi depois levantada a igreja e as dependências. Ao longo das centúrias seguintes foi objeto de múltiplas intervenções arquitetónicas, decorativas e das próprias vivências, com a transferência dos religiosos para a cidade de Viseu, na primeira metade do século XVII.