Foz Côa.
Pinhel.
Leiria.
Coimbra.
batalha.
Viseu.
Adro da Sé
sábado
28Set2019
21h30
Elenco

Carlos Guilherme, Sansão
Gisela Sachse, Dalila
Pedro Telles, Grande Sacerdote de Dagon
Henrique Silveira, Narração
Mariana Figueroa, Designer de Luz
Berta Cardoso, Figurinista
Orquestra da Ópera no Património
José Ferreira Lobo, Direção Musical

Tensão e conflito

Samson et Dalila – Tensão resolvida pela morte

Camille Saint Saëns, compositor nascido em 1835 e falecido em 1921, cavalga uma extraordinária viagem do pleno romantismo ao modernismo. A sua vida passa por Berlioz, Chopin, Liszt, Wagner, Richard Strauss, Mahler, Debussy e Schönberg. Começa por ser moderno e acaba como um dos mais empedernidos reacionários da história da música. Odiando alegremente e de forma positiva todos os compositores não franceses e quase todos os franceses, consegue atacar nos seus escritos finais Franck, Ravel e Debussy, a par de toda a música italiana e alemã. É, no entanto, Liszt que promove a estreia em 1877 do Sansão em Weimar, traduzido para alemão, suprema ironia, uma vez que em França a obra não tinha suscitado interesse. É a única ópera de Saint Saëns, das 13 que escreveu, que passou ao repertório depois da sua estreia em França em 1890, na língua original em que Lemaitre tinha escrito.

Sansão e Dalila é a história bíblica do Livro dos Juízes que relata parte dos conflitos entre Filisteus, que hoje se supõe serem gregos, e os Hebreus. Toda a ópera está centrada em torno do dueto de amor entre os dois personagens centrais. Toda a estrutura foi imaginada como aproximação e afastamento deste ponto zenital no segundo ato. Uma realização de Saint-Saëns que, nesta ópera, transcende os aspectos meramente técnicos e de métier que caracterizam a imensa maioria das suas partituras. A sua estrutura é clara: I ato: Introdução e apresentação, II – Amor e traição subjacente, III – Queda e vingança apocalíptica.

Sansão e Dalila não é uma ópera perfeita: as convenções da Grand Opéra francesa obrigam à inclusão de bailados, onde se destaca a bacanal, que perturbam a acção dramática, e de grandes massas corais, que o compositor, aliás, domina magistralmente. A sombria abertura impressiona na sua simplicidade, nas suas cordas graves, sombrias e imponentes, pelo tema obsessivo e trágico introduzido pelas violas e pela subtil amplificação de meios que se estende à orquestra.

Saint-Saëns utiliza magistralmente a cor harmónica para caracterizar a acção, o imensamente trágico si bemol menor, quase sinistro, que encerra o segundo ato revela a má consciência de Dalila e a funesta consequência da confidência de que a força do hebreu reside na sua cabeleira.

Utilizando a cor harmónica como elemento fulcral no enredo, Saint-Saëns utiliza o Lá Maior para as mulheres filistinas, o si bemol menor para os desfechos trágicos, os cromatismos para descrever as quentes paisagens do palácio de Sorek, o sol menor traz-nos a prisão e a cegueira de Sansão em que as figuras circulares nas cordas nos trazem a inexorável rotação do moinho no início do terceiro ato.

O fortíssimo final apocalíptico vê o si bemol menor transformar-se em Si bemol Maior: afinal a ruína do templo de Dagon e a morte de todos os que encerra, incluindo Sansão, é a vitória do Deus de Israel sobre os ímpios Filisteus. Sansão que estava cego antes de cegar e que viu a luz depois de lhe terem arrancado os olhos. Samson et Dalila é a ópera de um arquiteto que domina a sua arte e sabe o que quer, que doseia tensões, que não explora o óbvio: falta o episódio da queixada de asno que Samson utiliza para devastar as hostes filistinas.

Sansão e Dalila é um catálogo de arte musical, progressões, cadências, fugas, bailados, um grande dueto de amor, provocações, escárnio e apocalipse. Que mais se pode desejar? É ópera em toda a sua paixão.

Sé de Viseu
domingo
29Set2019
21h30
Elenco

Marina Pacheco, Soprano
Patrícia Quinta, Meio-Soprano
Pedro Rodrigues, Tenor
Rui Silva, Baixo
Coro Sinfónico Inês de Castro
Coro Capella Mallorquina
Coro Ciutat d’Eivissa

Orquestra da Ópera no Património
José María Moreno, Direção Musical

Requiem de Giuseppe Verdi (1813-1901)

A génese do Requiem de Verdi está diretamente relacionada com a morte de duas importantes figuras da cultura italiana do século XIX por quem o compositor nutria grande admiração, Gioacchino Rossini e Alessandro Manzoni. Se a ligação ao primeiro, que considerava ser uma das glórias de Itália, estava relacionada com a música, já no segundo caso se devia à grande amizade que tinha com aquele escritor. Após a morte de Rossini, em novembro de 1868 em Paris, Verdi propôs aos principais compositores italianos de música sacra a composição de uma Missa de Requiem que deveria ser apresentada no primeiro aniversário da morte daquele reconhecido compositor. Esta obra deveria ser executada na Igreja de São Petrónio, em Bolonha, e cada um devia contribuir com um andamento. O próprio contribuiu com o Libera Me, mas a Missa per Rossini, apesar de estar pronta para ser apresentada na data prevista, foi cancelada pelo comité organizador, o que deixou Verdi profundamente dececionado (esta missa viria a ser estreada só em 1988, sob a direção de Helmuth Rilling, em Estugarda).

A ideia de voltar a um Requiem só voltou a surgir em Maio de 1873 quando desapareceu uma das suas grandes amizades, e escritor Alessandro Manzoni. Desta vez, Verdi decidiu ele mesmo compor uma Missa de Requiem para ser apresentada no primeiro aniversário na morte de Manzoni. Tendo realizado uma revisão do Libera Me que tinha composto para o Rossini, acrescentou mais seis andamentos e a obra foi realmente estreada na data prevista, a 22 de maio de 1874, na Igreja de São Marcos, em Milão, sob a direção do próprio compositor.

 

No.1 – REQUIEM

Requiem aeternam dona eis, Domine,
et lux perpetua luceat eis.
Te decen hymnus, Deus, in Sion,
et tibi reddetur volum in Jerusalem:
exaudi orationem meam, ad te omnis caro veniet.
Requiem aeternum dona eis, domine,
et lux perpetua luceat eis. Kyrie eleison.
Christe eleison. Kyrie eleison.

No.2 – DIES IRAE
Dies irae, dies illa, Solvet saeclum in favilla,
Teste David cum Sibylla.
Quatus tremor est futurus, Quando judex est
venturus, Cuncta stricte discussurus.

TUBA MIRUM
Tuba mirum spargens sonum, per sepulcra
regionum, coged omnes ante thronum.
Mors stupebit et natura, cum resurget creatura,
Judicanti responsura.

LIBER SCRIPTUS
Liber scriptus proferetur, in quo totum continetur,
Unde mundus judicetur.
Judex ergo cum sedebit, quidquid latet apparebit,
Nil inultum remanebit.

QUID SUM MISER
Quid sum miser tunc dicturus? Quem patronum
rogaturus, cum vix justus, sit securus?

REX TREMANDAE
Rex tremendae majestatis, qui salvandos salvas
gratis, salvame fons pietatis.

RECORDARE
Recordare, Jesu pie, quod sum causa tuae viae,
Ne me perdas illa diae. Quaerens me sedisti lassus,
redemisti Crucem passus, tantus labor non sit
cassus. Juste judex ultionis, donum fac remissionis
Ante diem rationis.

INGEMISCO
Ingemisco, tamquam reus, culpa rubet vultus meus,
Supplicanti parce, Deus.
Qui Mariam absolvisti, et latronem exaudisti,
mihi quoque spem dedisti.
Preces meae non sunt dignae, sed tu bonus fac
benigne, ne perenni cremer igne.
Inter oves locum praesta, et ab haenis me sequesta,
Statuens in parte dextra.

CONFUTATIS
Confutatis maledictis, flammis acribus additis,
Voca me cum benedictis. Oro supplex et acclinis, cor
contrictum quasi cinis, gere curam mei finis.

LACRIMOSA
Lacrimosa dies illa, qua resurget ex favilla
judicandus homo reus.
Huic ergo parce, Deus. Pie Jesu Domine!
Dona eis requiem. Amen.

No. 3 – OFFERTORIO
Domine Jesu Christe, Rex golriae, libera animas
omnium fidelium defunctorium de poenis inferni et
de profundo lacu: libera eas de ore leonis, ne
absorbeat eas tartarus, ne cadant in obscurum;
Sed signifer sanctus Michael repraesentet eas in
lucem sanctam, quam olim Abrahae promisisti et
semini ejus. Hostias et preces tibi, Domine, laudis
offerimus; tu suscipe pro animabus illis, quarum
hodie memoriam facimus: fac eas, Domine,
de morte transire ad vitam, quam olim abrahae
promisisti et semini ejus.

No.4 – SANCTUS
Sanctus, Sanctus, Sanctus Dominus, Deus Sabaoth.
Pleni sunt caeli et terra gloria tua. Hosanna in
excelsis. Benedictus, qui venit in nomine Domini.
Hosanna in excelsis.

No. 5 – AGNUS DEI
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi:
dona eis requiem.
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi:
dona eis requiem sempiternam.

No.6 – LUX AETERNA
Lux aeterna luceat eis, Domine,
cum sanctis tuis in aeternum, quia pius es.
Requiem aeternam dona eis, Domine,
et lux perpetua luceat eis.
Cum sanctis tuis in aeternum, quia pius es.

No. 7 – LIBERA ME
Libera me, Domine, de morte aeterna,
in die illa tremenda quando coeli movendi sunt et
terra, dum veneris judicare saeculum per ignem.
Tremens factus sum ego, et timeo
dum discussio venerit, atque ventura ira.
Dies illa, dies irae, calamitatis et miseriae,
dies magna et amara valde.
Requiem aeternam, dona eis, Domine,
et lux perpetua luceat eis.

 

Tradução

Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso,
e brilhe para eles a luz eterna.
A Vós convém, Senhor, um hino de louvor em Sião,
e a oferta do nosso voto em Jerusalém.
Ouvi a minha súplica, toda a humanidade comparecerá
diante de Vós. Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso,
e brilhe para eles a luz eterna. Senhor tende piedade de nós.
Cristo tende piedade de nós. Senhor tende piedade de nós.

Dia de Ira, aquele dia Que tudo em cinzas fará,
Diz David e Sibila.
Que temor há de então ser Quando o Juiz vier
Julgar tudo com Rigor?

O som forte da Trombeta, entre os jazigos dos mortos
Junto ao trono os levará.
Todo o mundo há-de pasmar, quando a criatura se erguer
Para responder ao Juiz.

Um livro será trazido no qual tudo está contido
Por onde há-de ser julgado o mundo.
Quando o Juiz se sentar, tudo o que está oculto há de
Aparecer, nada impune ficará.

Que hei-de eu pobre, então dizer? A quem hei-de recorrer,
Se nem o justo está seguro?

Rei tremendo em majestade, que por favor nos salvais,
Salvai-me por piedade.

Recordai-Vos, bom Jesus, que por mim do Céu descestes;
Não me percais nesse dia. Por me buscar, Vos cansastes, para
me remir padecestes; Não seja em vão tanta dor!
Juiz sumamente justo, dai-me o dom de Vossa graça
Antes que vá a juízo.

Gemo, como sendo réu, sinto pejo do pecado;
Suplico, perdoai-me.
Vós que absolvestes Maria, e ao ladrão não desprezastes,
A mim destes uma esperança.
Minhas preces não são dignas, mas Vós que sois bom,
por clemência, não me abandoneis ao fogo.
Colocai-me entre as ovelhas, separai-me então dos bodes,
dai-me lugar à tua direita.

Confundidos os malditos, entregues ao fogo eterno,
Chamai-me com os escolhidos. Peço humilde e suplicante, de
coração como a cinza: Cuidai de mim.

Dia de lágrima, esse dia em que do pó se erguerá,
O homem para ser julgado.
Perdoai-lhe, Senhor Deus. Vós que sois bom, ó Jesus,
Dai-lhes um repouso eterno. Amen.

Senhor Jesus Cristo, Rei da Glória, livrai as almas de todos os
fiéis defuntos das penas do inferno e do abismo profundo:
livrai-as da boca do leão, não as absorva o tártaro
nem caiam nas trevas;
Mas que o Vosso porta-bandeira S. Miguel
as leve à santa luz, que outrora prometeste a Abraão
e à sua posteridade.
Nós Vos oferecemos, Senhor, vítimas e preces de louvor;
tomai-as por essas almas de que hoje fazemos memória:
Fazei-as, Senhor, passar da morte à vida,
que outrora prometeste a Abraão e à sua posteridade.

Santo, Santo, Santo, o Senhor Deus dos Exércitos.
O Céu e a Terra proclamam a vossa Glória. Hossana nas
alturas. Bendito o que vem em nome do Senhor.
Hossana nas alturas.

Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo:
dai-lhes descanso.
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo:
dai-lhes o eterno descanso.

Que a luz eterna brilhe para eles, Senhor, em companhia
dos vossos santos para sempre, porque sois bom.
Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso,
e que brilhe para eles a luz eterna em companhia
dos Vossos santos para sempre, porque sois bom.

Liberta-me, Senhor, da morte eterna,
naquele dia terrível: Quando os céus e a terra forem movidos
quando vieres julgar o mundo pelo fogo.
Tremo e tenho medo, por causa do dia do julgamento
e da ira que com ele virá.
Aquele dia, um dia de ira, de calamidade e tristeza,
grande dia e verdadeiramente amargo.
Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso,
e brilhe para eles a luz eterna.

Concertos no Património
26Set2019 quinta-feira

17h00 Museu da Cidade
Quarteto de Cordas

19h00 Biblioteca Municipal
Quarteto de Cordas

27Set2019 sexta-feira

19h00 Quinta da Cruz
Grupo de Cordas

21h00 Adro da Sé
Ensaio Aberto da Visitação à Ópera Sansão e Dalila, de Camille Saint-Saëns

28Set2019 sábado

16h30 Igreja Matriz de Abraveses
Grupo de Sopros

CATEDRAL DE VISEU

Num dos pontos mais altos da cidade e a coroar uma das mais belas praças do nosso país, encontramos a Catedral de Santa Maria de Viseu. Edificada nos inícios do século XII, associada a um paço condal e a um castelo, a Sé de Viseu sofreu, entre os séculos XIII e XVII, inúmeras transformações. No seu interior podemos observar o primeiro claustro renascentista de Portugal e uma magnífica “abóbada de nós” do século XVI, bem como o braço relicário de São Teotónio, primeiro santo português. No piso superior, na antiga Sala Capitular, encontramos o Museu dedicado ao Tesouro da Sé, cujo acervo retrata os mais de 900 anos da catedral e o Passeio dos Cónegos, uma loggia que oferece uma das mais belas vistas da cidade.

MUSEU DE HISTÓRIA DA CIDADE

Situado em plena Rua Direita, uma das artérias mais emblemáticas da cidade, o novo espaço museológico de Viseu abriu portas a 18 de maio de 2018, Dia Internacional dos Museus, e apresenta a exposição “Ícones de Viseu – O Despertar do Museu”. Esta é a primeira exposição do Museu de História da Cidade, que proporcionar várias viagens pelos 2500 anos de história de Viseu, através da apresentação de alguns dos seus mais importantes ícones. Um local repleto de memórias onde podemos contemplar o passado, presente e futuro de Viseu.

BIBLIOTECA MUNICIPAL DOM MIGUEL DA SILVA

Inaugurada a 31 de maio de 2002, a Biblioteca Municipal D. Miguel da Silva é um espaço aberto a toda a comunidade, que oferece um fundo documental que abrange todas as áreas do conhecimento e disponibiliza um vasto leque de recursos necessários para a promoção dos hábitos de leitura. Para além disso, o espaço dispõe de um valioso espólio documental antigo, com obras anteriores a 1820, que só pode ser consultado mediante requisição num espaço reservado para o efeito. Para além das várias áreas de leitura, espaço multimédia e de braille e a BDteca Luiz Beira, destaque para mais recente sala de leitura, com capacidade para cerca de 80 lugares sentados, em funcionamento até à meia-noite.

Quinta da Cruz

Banhada pelo rio Pavia, é o local onde a natureza e a arte se encontram. Assumindo-se como um verdadeiro centro de arte contemporânea, apresenta exposições temporárias, oficinas criativas e programas para a família. A propriedade possui uma assinalável biodiversidade dendrológica onde, além de algumas espécies autóctones, também é possível identificar espécies exóticas. De visita obrigatória, quer para relaxar e passear nos seus jardins, como para aprofundar conhecimentos sobre novas abordagens artísticas.

IGREJA MATRIZ DE ABRAVESES

Em pleno Largo do Arraial, em Abraveses, encontramos a Igreja Matriz desta freguesia. O atual edifício terá substituído uma antiga capela, dedicada ao culto da Nossa Senhora dos Prazeres, ali venerada pelos seus fiéis desde o tempo de Filipe III e referida, no século XVIII, nas Memórias Paroquiais. Atualmente, Nossa Senhora dos Prazeres é padroeira da localidade, sendo o dia 12 de junho lhe dedicado com uma procissão. Da antiga capela, nada resta senão as suas paredes, assim como o coro e o guarda-vento, que mantêm a traça original, após as diversas transformações ao longo dos anos.