Pinhel.
Foz Côa.
Leiria.
Coimbra.
Batalha.
Viseu.
Solar do Vinho do Dão
sábado
14Out2017
21h30
Elenco

Ana Pinto, Soprano
Luís Rodrigues, Barítono
Orquestra da Ópera no Património
José Maria Moreno, Direção Musical
Paulo Lapa, Direção de Cena
Miguel Massip, Cenografia
Roberto Punzi, Design de luz
Ana Berta Cardoso, Figurinos

Mozart nasceu em Salzburg, em 1756, e faleceu em Viena, em 1791. Na sua vida de 35 anos, Mozart escreveu 22 óperas, tendo iniciado a sua carreira operática de compositor apenas aos 11 anos! As três óperas que realizou com libretos de Lorenzo da Ponte (1749-1838) são, talvez, as que mais perduraram no consciente coletivo. São as Bodas de Fígaro, D. Giovanni e Così fan tutte.
O padre Da Ponte, um notável escritor, era padre católico, em Veneza, onde também ensinava latim, italiano e francês. Sendo padre da igreja de S. Lucas, vivia com uma amante da qual tinha dois filhos. Viria a ter de escapar de Veneza por ter sido condenado, por ter “raptado uma senhora de bem”, “ter uma vida dissoluta”, “viver num bordel e aí organizar as festividades e divertimentos”.
Seria em Viena que o bom padre e Mozart se encontraram. É bom de dizer que uma das cantoras que participaram nas estreias desta trilogia era amante de Da Ponte.
As Bodas de Fígaro, de 1786, passam-se no palácio do conde de Almaviva, perto de Sevilha, já este se encontra casado com Rosina, na sequência da história que podemos encontrar no Barbeiro de Sevilha de Rossini. O seu criado e amigo, o antigo barbeiro Fígaro, vai casar, e Almaviva pretende os favores da noiva de Fígaro, gerando-se uma comédia de costumes com uma fortíssima componente de crítica social, habilmente urdida pelo libreto de Da Ponte, de forma a mascarar, com ironia e muito riso, a mensagem subliminar que denuncia uma estrutura social hierarquizada. Só com extrema subtileza poderiam Da Ponte e Mozart passar pelo crivo da censura vienense. Conseguiram-no com um génio tal que as obras desta trilogia passaram à história como três das mais perfeitas obras da história da música e da literatura.
Com D. Giovanni, de 1787, encontramos o famoso sedutor espanhol e as suas aventuras e desventuras, que culminam com a sua danação eterna, sem perdão, no Inferno. A música é escrita de uma forma rica, que mistura humor, suspense, encontros e desencontros, e retrata as paixões humanas, incluindo a compaixão e amor dedicado de D. Elvira e o lado poltrão do criado, Leporello. Toda a trama é um fresco das relações sociais e humanas ao tempo de Mozart, e o lado psicológico da obra e dos personagens tem sido motivo para acaloradas discussões entre os teóricos. D. Giovanni aceita a sua sorte com uma coragem invulgar, que o redime de certa forma de todos os pecados que vem cometendo. Como ele próprio afirma, não pode amar apenas uma, pois deixaria todas as outras inconsoláveis…
A comédia clássica de Così fan tutte fecha, em 1790, a trilogia. Dois jovens testam a fidelidade das suas namoradas, após uma aposta com o filósofo Don Alfonso. Ao contrário das outras duas obras, a receção desta ópera foi mais reservada. A ópera foi considerada imoral, inacabada, cruel ou estranha no seu enredo. Talvez, por isso mesmo, seja a mais moderna da trilogia, com os seus enganos. Elas são capazes de fazer tudo e a sua fidelidade não é, propriamente, um dado adquirido. Afinal, têm exatamente os mesmo direitos do que os homens, algo que deixou estupefactos os ouvintes dos séculos anteriores. O que é seguro é que a música de Mozart transforma o texto do libreto numa obra-prima que narra, descreve, cria ação e ambiente psicológico para o drama decorrer, sem necessidade de mais palavras.

Sé Catedral
domingo
15Out2017
21h30
Elenco

Ana Pinto, Soprano
Luís Rodrigues, Barítono
Coro Sinfónico Inês de Castro
Orquestra da Ópera no Património
Artur Pinho Maria, Direção

“Ein deutsches Requiem” de Johannes Brahms, opus 45 ou “Um Requiem alemão” sobre palavras das Sagradas Escrituras

Brahms nasceu em Hamburgo, em 1833, filho de um contrabaixista que cedo se apercebeu da musicalidade do rebento. Não só começou a estudar como aos 10 já tocava em bares e tabernas da cidade portuária de Hamburgo, em conjunto com o seu pai. Essa existência boémia continuaria, apesar dos estudos eruditos de Brahms, e apenas relativamente tarde começou a afirmar-se como compositor sério. Viria a ser um dos expoentes do Romantismo Alemão.
Apesar do reconhecimento, em 1853, por parte de Schumann, foi apenas com este Requiem Alemão que Brahms começou a sua fama internacional. Apelidado de reacionário por ter contestado Wagner e Liszt, acabou por ver em Hanslick, o famoso esteta de Viena, professor e fundador dos estudos de Estética na Universidade desta cidade, crítico famoso e declarado inimigo de Wagner, o seu mais importante aliado. No entanto, Brahms não seria assim tão alheio à música de Wagner como se supõe. Arnold Schönberg viria a desmontar essa crença no seu ensaio sobre “Brahms o Progressista”. Um facto insofismável é que a música de Brahms nunca serviu a narrativa e o drama operático, sendo geralmente puramente sinfónica ou poética, como nos seus excecionais lieder.
O Requiem foi, provavelmente, inspirado pela morte da mãe, em 1865, data do início da composição, que apenas viria a terminar em 1868. O texto é em alemão. Brahms era um cristão luterano mas a sua obra não é litúrgica stricto sensu, é antes uma reflexão, uma meditação, ou melhor, uma obra de consolação perante a morte, mais de acordo com a teologia luterana, para orquestra, coro, soprano e barítono solistas, durando cerca de setenta minutos. Os textos foram escolhidos pelo compositor e são recolhidos dos Evangelhos Canónicos e apócrifos.

Concertos no Património
12Out2017 quinta-feira

16h00 Museu Almeida Moreira
Quarteto de Cordas

18h00 Câmara Municipal de Viseu
Quarteto de Cordas

13Out2017 sexta-feira

18h00 Solar do Vinho do Dão
Grupo de Sopros
21h30 Solar do Vinho do Dão
Concerto didático-pedagógico sobre a Visitação à Ópera de Mozart

14Out2017 sábado

18h00 Solar do Vinho do Dão
Orquestra de Cordas

Sé Catedral de Santa Maria de Viseu

O edifício foi classificado como património nacional em 1910 é resultado de intervenções realizadas ao longo dos séculos. Da construção primitiva, românico-gótica, são testemunhos o friso de merlões, óculos e portais de arco quebrado. A fachada, maneirista, da autoria de João Moreno, substituiu a manuelina, que ruiu em 1635. No interior tem abóbada manuelina, terminada em 1513 e claustro Renascentista, encomendado pelo Bispo D. Miguel da Silva, construído entre 1513 e 1534 pelo arquiteto Francesco de Cremona. 

Museu Almeida Moreira

A criação deste museu resultou da doação da casa e coleções de Francisco Almeida Moreira à Câmara Municipal de Viseu. O museu possui valiosas coleções de pintura, escultura, cerâmica, mobiliário e um importante acervo documental, que esta figura ímpar na sociedade viseense e portuguesa no início do século XX, fundador e diretor do Museu Nacional Grão Vasco, reuniu ao longo da sua vida.

Câmara Municipal de Viseu

Projetada pelo Eng. Matos Cid e iniciada em 1877, destaca-se a decoração das escadarias, com painéis de azulejos, da Fábrica Fonte Nova, de Aveiro, 24 retratos de ilustres beirões, pintados por José de Almeida e Silva, bem como a alegoria à glória e à fama de Viseu. O lustre de ferro forjado foi executado pelo mestre Arnaldo Malho.

Solar do Vinho do Dão - Paço Episcopal do Fontelo

A construção inicial deveu-se à iniciativa do bispo D. João Homem, nos finais do séc. XIV, da qual subsiste apenas o portal com arco gótico e remate com merlões. No séc. XVI D. Miguel da Silva reformou o edifício, criou o parque e os jardins renascentistas. Depois deste período a história do edifício continuou ligada ao Episcopado de Viseu. Passou para a posse do Estado em 1912. Mais tarde é ali instalado um presídio militar, por onde passaram, entre outros, Aquilino Ribeiro, em 1928. Depois de longa decadência o edifício foi recuperado pela Câmara Municipal de Viseu e aberto ao público em 2004.