Pinhel.
Foz Côa.
Leiria.
Coimbra.
Batalha.
Viseu.
Escadaria do Largo da Igreja de S. Luís
sexta-feira
25Ago2017
21h30
Elenco

Giovanna Lanza, Carmen
Cristiana Oliveira, Micaela
Carlos Guilherme, Don José
Rui Silva, Escamillo
Henrique Silveira, Narração
Orquestra da Ópera no Património
Fabrizio Da Ros, Direção Musical
Paulo Lapa, Direção Cénica
Ana Berta Cardoso, Figurinos
Roberto Punzi, Design Luz
Participação:
Teatro do Imaginário /
Grupo de Amigos do Manigoto

Registado como Alexandre César Léopold Bizet e batizado como Georges Bizet, nome pelo qual o conhecemos, compôs cerca de quinze óperas, umas inacabadas, outras nunca executadas até hoje, outras perdidas, porque mutiladas após a sua morte ou, então, por puro desleixo dos herdeiros. Apenas duas das suas óperas passaram ao cânone: Os Pescadores de Pérolas, composto no crepúsculo do seu Prémio de Roma e estreada em 1863, e Carmen, escrita no final da sua curtíssima vida, e estreada em 1875, ano da morte do compositor.
Teve uma vida com muitas dificuldades financeiras que o obrigaram a dar recorrentes lições de piano. Trabalhava dezasseis horas por dia a transcrever obras sinfónicas para piano e óperas para piano e canto.
Bizet adquiriu um conhecimento extraordinário e uma enorme cultura musical, por via desse trabalho árduo, que o levou a conhecer intimamente as partituras de todos os seus grandes colegas. Por outro lado, teve como professor e mentor Charles Gounod, também ele um grande compositor. Bizet foi acusado de copiar a música da Carmen pelo próprio Gounod e utilizou música de outros, como a da Habanera, em que Carmen, um meio-soprano de voz quente e sedutora, se apresenta de forma impressiva perante o público logo no início da ópera. Esta Habanera chamava-se "El Arreglito", e foi composta pelo compositor espanhol Sebastián Yradier. Bizet, que tinha a música no ouvido, julgava que se tratava de uma melodia popular espanhola mas acabou por mencionar a autoria original na partitura, depois de alertado por amigos. Fizeram-se diversas adaptações da ópera para concerto, por exemplo: Toreadors, é uma adaptação dos temas do Toreador que surgem na Carmen e que está incluída na suite n.º 1, a Seguidilha e a subsequente Dança Boémia são citações literais de partes sinfónicas que surgem na ópera original.
A ópera Carmen é uma tragédia moderna, baseada em factos supostamente verídicos mas muito romanceados, baseados no conto homónimo de Prosper Merrimée, escritor, arqueólogo e senador francês coevo de Bizet.
A ópera foi um sucesso incrível, apesar de uma estreia frouxa e de críticas ferozes, sobretudo motivadas por despeito ou por razões morais. A ópera não continha uma lição moral e a personagem principal era uma mulher cheia de vícios, segundo os escritos da época. Bizet não conseguiu ter tempo para saborear o sucesso que foi surgindo, tendo morrido três meses exatos depois da estreia, a 3 de março de 1875. Nietzsche, Wagner, Brahms ou Tchaikovsky apreciaram vivamente a ópera que trata dos amores da livre e leviana Carmen, uma bela cigana, que seduz um militar, D. José, para se conseguir libertar da prisão, após uma rixa de navalhada. Carmen depressa se farta do ciumento militar para o trocar por um vistoso toureador, Escamillo. Num acesso de raiva, de ciúme e de fúria homicida, D. José mata Carmen à navalhada, terminando assim a ópera.  

Igreja de S.Luís
domingo
27Ago2017
21h30
Elenco

Cristiana Oliveira, Soprano
Giovanna Lanza, Meio-soprano
Carlos Guilherme, Tenor
Rui Silva, Baixo
Coro Sinfónico Inês de Castro
Orquestra da Ópera no Património
Artur Pinho Maria, Direção

Requiem K.626

I – Introitus

Requiem (coro e soprano)

II – Kyrie

Kyrie (coro)

III – Sequentia

Dies irae (coro)
Tuba mirum (soprano, contralto, tenor e baixo)
Rex tremendae (coro)
Recordare (soprano, contralto, tenor e baixo)
Confutatis (coro)
Lacrimosa (coro)

IV – Offertorium

Domine Jesu (coro, soprano, contralto, tenor e baixo)
Hóstias (coro)

V – Sanctus

Sanctus (coro)

VI – Benedictus

Benedictus (coro, soprano, contralto, tenor e baixo)

VII – Agnus Dei

Agnus Dei (coro)

VIII – Communio

Lux aeterna (coro e soprano)

 

“… Tenho de aproveitar o meu tempo da melhor forma possível porque estou há muito tempo retido na cama e ainda tenho este Requiem para acabar.”

Mozart, carta de 3 de dezembro de 1791

 

O Requiem de Mozart é uma obra envolta em mistério devido ao desconhecimento preciso dos factos que rodearam a sua encomenda e, também, por a obra não ter sido terminada pela mão do compositor. A sua morte prematura, se não o são todas, impediu Mozart de concluir a partitura, realidade que terá sido agonizada pelo estado de saúde deplorável em que se encontrava e pela falta de meios económicos em que a sua vida incorreu nos últimos anos. Por outro lado, estes factos, associados a esta obra ser uma missa de mortos, enaltecem o sentido trágico do Requiem, visto por muitos autores como um Requiem na primeira pessoa, ou seja, uma missa escrita para o funeral do próprio compositor, consciente de que o fim que se aproximava. No entanto, é possível dar luz a muitos dos factos e desmitificar algumas das fantasias que escondem a verdade sobre as origens do Requiem de Mozart. A encomenda foi feita por um anónimo que nunca revelou junto de Mozart a sua identidade. Não existe nada de estranho no facto do compositor ter acedido a realizar a obra, uma vez que uma avultada recompensa pecuniária iria aliviar de sobremaneira a sua débil, senão miserável, situação financeira. Essa figura anónima, envolta em mistério, era um enviado do Conde Walsegg-Stuppach, um homem que tinha por hábito encomendar obras a vários compositores seguindo o mesmo método. A razão de tal estranho hábito era menos nobre do que o título que detinha.
O Conde era um bom instrumentista, mas seria desprovido de grande talento criativo. Assim, maquilhava a realidade apresentando essas obras como sendo suas. O Requiem foi encomendado para venerar a sua mulher que havia falecido recentemente. No entanto, esta encomenda correu particularmente mal. Mozart encontrava-se ocupado com as suas últimas óperas, A Flauta Mágica e A clemência de Tito, e o Requiem era mais uma entre outras encomendas que necessitavam de urgente conclusão. Ao aperceber-se que o estado de saúde de Mozart era muito preocupante, o Conde terá forçado o seu enviado a pressionar o pobre enfermo. Para azar do Conde, Mozart não conseguiu terminar a obra a tempo. Curiosamente, o manuscrito, em dezembro de 1791, o fatídico mês em que o compositor faleceu, ao dia 5, já se encontrava datado de 1792. Seria pela mão de Mozart, consciente de que não estaria terminado antes dessa data, ou terá sido outra mão a datar o documento?
Entre as muitas perguntas que ficam sem resposta, sabemos hoje quais as partes que Mozart concluiu e as que foram terminadas pela mão do compositor Franz Xaver Süssmayr (1766-1803).
Apenas Introitus e Kyrie foram integralmente compostas por Mozart. Da Sequentia, ficaram apenas as partes corais planificadas com o acompanhamento dos violinos e do baixo, e Lacrimosa ficou mesmo incompleta no seu plano de continuidade. Offertorium ficou, igualmente com a instrumentação, muito incompleta. Sanctus, Benedictus, e Agnus Dei, não são, ao que se pensa, da autoria de Mozart.
O processo de completação do Requiem foi planeado pela viúva, que só assim receberia a quantia em falta do misterioso cliente. Recorreu à ajuda de um aluno do marido, Süssmayr, que não sendo a primeira escolha, foi o primeiro a aceder ao pedido. Nunca saberemos ao certo que esboços da obra ele terá encontrado, se teve acesso a mais manuscritos do que aqueles que sobreviveram até aos nossos dias.
Justiça lhe seja feita, completou o trabalho com grande mestria. Apesar de alguns autores acharem que se o Requiem tivesse sido terminado por Mozart seria uma obra ainda mais bela e formalmente perfeita, essa será sempre uma das questões para especulação, a par de todas as outras que alimentam o mistério do Requiem e da própria morte de Mozart. Esse, foi enterrado sem música, numa vala comum, sem o conforto e a consolação a que o Requiem aspira.
Durante os anos que viveu, o Conde Walsegg insistiu em afirmar que a obra era sua!

Concertos no Património
26Ago2017 sábado

11h00 Torre do Castelo
Grupo de Sopros
12h00 Igreja de Sta. Maria
Quarteto de Cordas
17h00 Museu Municipal
Quarteto de Cordas
19h00 Claustro da Igreja de Sto. António
Quarteto de Arcos

Igreja de São Luís

A igreja de São Luís, situada no Largo D. Cristóvão de Almeida Soares, foi construída no século XVI, como capela do antigo Convento das Clarissas, fundado por Luís de Figueiredo Falcão. No séc. XVIII assumiu a função de Sé Catedral do Bispado de Pinhel sendo, atualmente, a Igreja Matriz da cidade.
Esta igreja, de planta longitudinal, apresenta talha barroca no altar-mor, teto em caixotões e paredes forradas a azulejos seiscentistas policromados. Classificada como Imóvel de Interesse Público, desde 1980.

Torre do Castelo

As duas Torres do Castelo de Pinhel fazem parte de uma estrutura defensiva medieval, de arquitetura militar, em estilos românico, gótico, manuelino e maneirista. A Torre Norte ou Torre de Menagem foi erguida durante o século XVI, no reinado de D. Manuel II. A Torre sul, também conhecida como Torre da Prisão, remonta aos séculos XIII / XIV. Ambas apresentam planta quadrangular, fachadas de três registos e remate em merlões retangulares. O conjunto formado pelo Castelo e pela Muralha está classificado como Monumento Nacional desde 1950.  

Igreja de Santa Maria

Construída no séc. XIV, dentro das muralhas góticas de Pinhel, que D. Dinis mandou reformular, a Igreja de Santa Maria do castelo apresenta um estilo românico-gótico, e no interior destaca-se o altar-mor, de estilo barroco, em talha dourada, 14 telas do século XVII, com cenas da vida da virgem Maria e duas tábuas de pinturas do século XVI. Classificada como Imóvel de Interesse Público em 2002.

Museu Municipal

O edifício onde está instalado o Museu Municipal de Pinhel foi edificado em 1736, onde originalmente funcionou o Tribunal de Correição do Município. Mais tarde funcionou como Câmara Municipal e, já no século XIX, com a construção de um outro edifício para os Paços do Concelho, foi ocupado pelos mais diversos serviços. Em 1940, instalou-se aqui o Museu, com as suas coleções de arqueologia, etnologia, arte sacra, numismática e cerâmica. Classificado como Imóvel de Interesse Público em 1982.

Claustro da Igreja de Sto. António

O Convento de Santo António de Pinhel, fundado em 1727 por alvará de D. João V, foi mais tarde doado à Santa Casa da Misericórdia de Pinhel.
No início do século XX, foi alvo de um violento incêndio, que destruiu grande parte das dependências conventuais, que viriam a ser intervencionadas tal com a igreja, a partir de 1983.
O complexo é composto pela igreja, de planta longitudinal, e pelas dependências do convento, que se desenvolvem a partir do templo e do claustro, de planta quadrada e com arcada de capitéis toscanos sobre murete. Classificado como Monumento de Interesse Público.