Foz Côa.
Pinhel.
Leiria.
Coimbra.
batalha.
Viseu.
Teatro José Lúcio da Silva
segunda-feira
09Set2019
21h30
Elenco

Cristiana Oliveira, Butterfly
Pedro Rodrigues, Pinkerton
Pedro Telles, Sharpless
Gisela Sachse, Suzuki
Carlos Guilherme, Goro
Cliff Pereira, Yamadori
Paulo Lapa, Encenação
Roberto Punzi, Desenho de Luz
Miguel Massip, Cenografia
Ana Berta Cardoso, Figurinos
Grupo Vocal da Ópera no Património
Orquestra da Ópera no Património
José Ferreira Lobo, Direção Musical

Butterfly – a borboleta consumida no fogo da sua própria ilusão.

Madama Butterfly de Giocomo Puccini com libreto de Luigi Illica e Giuseppe Giacosa.

O libreto de Butterfly baseia-se no conto de John Luther Long que, por seu turno, ouviu a história de sua irmã, Jennie Correll. Incorpora ainda elementos dramáticos da novela Madame Chrysanthème de Pierre Loti. O conto de Long deu origem a uma peça de teatro em um ato de David Belasco, com o nome de Madame Butterfly ou Uma Tragédia do Japão, estreada em 1900. 

Puccini (1858-1924) viu a peça de teatro e ficou encantado com uma possível ópera a partir do mesmo material dramático. Madama Butterfly, no original italiano, acabaria por ser estreada em 17 de Fevereiro de 1904 no Alla Scala de Milão com um relativo fracasso. O compositor tinha acabado a ópera à pressa e os tempos de ensaio foram muito reduzidos. O público de Milão, extremamente exigente com o canto, não apreciou a ópera obrigando Puccini a refazer a ópera. A nova versão, estreada em Brescia a 28 de Maio, foi acolhida com grande sucesso refazendo o caminho de êxito que o compositor, com raro faro para o sucesso comercial, almejava. Puccini, não obstante o sucesso de Brescia, não ficou satisfeito com a partitura concluindo mais três versões. Acabou por ser a quinta versão, concluída em 1907, que representa hoje em dia em quase todas as casas de ópera do planeta.

Butterfly tornava-se uma das mais famosas óperas do repertório em todas as casas de ópera do Planeta e um ícone da ópera. Butterfly é a sexta ópera com mais representações a nível mundial depois de La Traviata, Flauta Mágica, Carmen, La Bohème e Tosca. Em Portugal a ópera estreou-se no Teatro Nacional de S. Carlos em 1908, apenas quatro anos após a sua estreia absoluta e um ano depois da versão definitiva ter sido concluída.

O argumento desta ópera retrata um casamento temporário entre uma gueixa japonesa de Nagasaki, Cio-Cio-San (que significa borboleta, i.e., Butterfly em inglês), e um tenente da marinha de guerra americana, Benjamin Franklin Pinkerton em comissão de serviço na cidade. Estes casamentos eram habituais na sociedade japonesa de então, com leis de divórcio muito simplificadas, em que o casamento servia os interesses dos ocidentais, no local e no momento desejado, sendo depois desfeito aquando do término da comissão de serviço ou da estadia do oficial em terras do Oriente. Apesar das convenções que marcavam este tipo de casamentos, este foi levado à letra pela jovem gueixa que se apaixonou perdidamente por Pinkerton, renunciando à sua religião e convertendo-se inclusivamente ao cristianismo, o que a excluiu da sua própria sociedade.

O americano virá, mais tarde, a partir. Faz a promessa de voltar, deixando Cio-Cio-San, que amava verdadeiramente o americano, ansiosa pelo regresso deste. Três anos se vão passar e a jovem nunca mais se esqueceu de Pinkerton. Este, entretanto, casa-se nos Estados Unidos da América com uma jovem americana, Kate, sem imaginar que Butterfly continua à sua espera, ignora também que tem um filho de Cio-Cio-San. Quando, finalmente, o navio de Pinkerton, o Abraham Lincoln, regressa a Nagasaki, o tenente vem acompanhado de Kate, a sua legítima esposa americana.

Pinkerton virá a saber, após a sua chegada, que tem um filho da japonesa e que esta o aguardou mais de três anos. Sabe ainda que Cio-Cio-San rejeitou os avanços de um magnata local que pretendia desposá-la. Quando Cio-Cio-San compreende tudo, isto é, que Pinkerton nunca mais será seu e está casado com uma americana, perde todas as esperanças. Está condenada a uma vida de desonra e exclusão social e, sem o amor da sua vida, esta vida não terá o menor sentido. A antiga gueixa despede-se do seu filho, que passará a viver com o casal Pinkerton, e comete seppuku, o suicídio ritual tradicional do japão.

Esta história de amor superficial de Pinkerton em contraste com o amor profundo de Cio, é frequentemente encenada de forma, também, superficial. Costuma ver-se nesta história, muitas vezes banalizada e comercializada, mais um mero drama de amor desencontrado para fruição puramente hedonista dos burgueses apreciadores de ópera. Nesta leitura a tragédia primária de Cio-Cio-San é enfatizada apenas como veículo para escutar o canto em primeiro lugar e a música, com alguns tiques de orientalismo e pitoresco, em segundo. No entanto, o libreto encerra dentro de si leituras mais profundas do que esta. É uma parábola da forma como as nações mais poderosas se serviam dos recursos dos países, na altura, mais fracos. Todos os países menos poderosos do Mundo serviam para suprir a cobiça dos mais poderosos, não apenas em recursos, mas também em serviços, usando os seres humanos como servos descartáveis. É nessa tremenda assimetria, no plano emocional, e no plano das relações de poder, que esta ópera se desenrola, uma leitura crítica que Puccini não deixa de fazer, nomeadamente na forma como descreve musicalmente os personagens, inclusivamente usando o Star Spangled Banner, o hino nacional norte-americano, quando descreve Pinkerton.

Puccini, um compositor de génio, faz sentir através da música, que serve de forma excecional o teatro, essa assimetria que se sente também através da música. A música é sempre mais convencional, para Pinkerton do que para Butterfly, sendo esta verdadeiramente através da sua verdadeira e pura entrega o motor da tragédia. Este decisivo fator é revelado pela análise da partitura ou através de uma audição atenta da mensagem subliminar que Puccini transmite através dos sons.

Puccini dispensa abertura ou prelúdio, a ação decorre imediatamente nos primeiros compassos, como se Puccini quisesse precipitar os eventos, agarrar o público pelo pescoço e não o deixar respirar até à consumação do Seppuku ritual, o suicídio anunciado, à letra no final da ópera.

O compositor utiliza melodias japonesas para caracterizar o ambiente e os personagens japoneses da obra. Os americanos são retratados sempre com música típica da ópera italiana. As partes corais são simples, Puccini realizou coros muito superiores noutras óperas como, por exemplo, na Turandot. Por outro lado, não há cesuras ou cortes, toda a música flui de cena para cena sem números convencionais da ópera italiana, não há árias, ou outros números isolados como cavatinas, duetos, tercetos ou com finais grandiloquentes no final de árias bombásticas apenas para puxar o aplauso e o ego dos cantores.

Apesar de se inserir numa tradição italiana, Puccini usa a orquestra com grande maestria, fazendo-a introduzir temas e melodias e usando livremente de leitmotivs que repete, caracterizando situações dramáticas e reforçando com a memória a compreensão da obra. Conduz, assim, o espectador ao longo da obra, guiando a sua inteligência e, sobretudo, a sua emoção, algo que retirou com mérito da teoria e prática de Wagner.

Toda a Butterfly nos leva para o gigantesco espasmo emotivo da morte de Cio-Cio-San no final. Puccini cria um vórtice emocional. Se a música for bem interpretada, se a representação for convincente, esta é uma ópera que deixa toda uma plateia em lágrimas de emoção à chegada dos acordes finais. Puccini e os seus libretistas dominavam o conceito dramático e teatral, esta emoção, controlada de início, vem a ser aumentada em doses homeopáticas ao longo dos três atos desta ópera. Este crescendo é o âmago do sucesso de Butterfly junto do grande público e funciona de forma magistral, nomeadamente pela forma como a ópera termina, sem ser na tónica, um maneirismo de Puccini que é uma pista para as suas verdadeiras intenções: deixar a emoção passar para além da última nota da ópera e ficar na memória, digamos inacabada, do som da tragédia. A morte corta assim um discurso que poderia ter continuado de outra forma, se o americano Pinkerton fosse sincero e não um cobarde insensível e superficial, um parasita que até o filho de Cio-Cio-San lhe rouba, para o educar à americana. Há um violento contraste entre Pinkerton, um personagem abominável em que tudo é falso, e Cio-Cio-San, o Sol radioso desta obra.

Jardim da Almuinha Grande
domingo
08Set2019
21h30
Elenco

Marina Pacheco, Soprano
Patrícia Quinta, Meio-Soprano
Pedro Rodrigues, Tenor
Rui Silva, Baixo
Coro Sinfónico Inês de Castro
Orquestra da Ópera no Património
Artur Pinho Maria, Direção Musical

Requiem de Giuseppe Verdi (1813-1901)

A génese do Requiem de Verdi está diretamente relacionada com a morte de duas importantes figuras da cultura italiana do século XIX por quem o compositor nutria grande admiração, Gioacchino Rossini e Alessandro Manzoni. Se a ligação ao primeiro, que considerava ser uma das glórias de Itália, estava relacionada com a música, já no segundo caso se devia à grande amizade que tinha com aquele escritor. Após a morte de Rossini, em novembro de 1868 em Paris, Verdi propôs aos principais compositores italianos de música sacra a composição de uma Missa de Requiem que deveria ser apresentada no primeiro aniversário da morte daquele reconhecido compositor. Esta obra deveria ser executada na Igreja de São Petrónio, em Bolonha, e cada um devia contribuir com um andamento. O próprio contribuiu com o Libera Me, mas a Missa per Rossini, apesar de estar pronta para ser apresentada na data prevista, foi cancelada pelo comité organizador, o que deixou Verdi profundamente dececionado (esta missa viria a ser estreada só em 1988, sob a direção de Helmuth Rilling, em Estugarda).

A ideia de voltar a um Requiem só voltou a surgir em Maio de 1873 quando desapareceu uma das suas grandes amizades, e escritor Alessandro Manzoni. Desta vez, Verdi decidiu ele mesmo compor uma Missa de Requiem para ser apresentada no primeiro aniversário na morte de Manzoni. Tendo realizado uma revisão do Libera Me que tinha composto para o Rossini, acrescentou mais seis andamentos e a obra foi realmente estreada na data prevista, a 22 de maio de 1874, na Igreja de São Marcos, em Milão, sob a direção do próprio compositor.

 

No.1 – REQUIEM

Requiem aeternam dona eis, Domine,
et lux perpetua luceat eis.
Te decen hymnus, Deus, in Sion,
et tibi reddetur volum in Jerusalem:
exaudi orationem meam, ad te omnis caro veniet.
Requiem aeternum dona eis, domine,
et lux perpetua luceat eis. Kyrie eleison.
Christe eleison. Kyrie eleison.

No.2 – DIES IRAE

Dies irae, dies illa, Solvet saeclum in favilla,
Teste David cum Sibylla.
Quatus tremor est futurus, Quando judex est
venturus, Cuncta stricte discussurus.

TUBA MIRUM

Tuba mirum spargens sonum, per sepulcra
regionum, coged omnes ante thronum.
Mors stupebit et natura, cum resurget creatura,
Judicanti responsura.

LIBER SCRIPTUS

Liber scriptus proferetur, in quo totum continetur,
Unde mundus judicetur.
Judex ergo cum sedebit, quidquid latet apparebit,
Nil inultum remanebit.

QUID SUM MISER

Quid sum miser tunc dicturus? Quem patronum
rogaturus, cum vix justus, sit securus?

REX TREMANDAE

Rex tremendae majestatis, qui salvandos salvas
gratis, salvame fons pietatis.

RECORDARE

Recordare, Jesu pie, quod sum causa tuae viae,
Ne me perdas illa diae. Quaerens me sedisti lassus,
redemisti Crucem passus, tantus labor non sit
cassus. Juste judex ultionis, donum fac remissionis
Ante diem rationis.

INGEMISCO

Ingemisco, tamquam reus, culpa rubet vultus meus,
Supplicanti parce, Deus.
Qui Mariam absolvisti, et latronem exaudisti,
mihi quoque spem dedisti.
Preces meae non sunt dignae, sed tu bonus fac
benigne, ne perenni cremer igne.
Inter oves locum praesta, et ab haenis me sequesta,
Statuens in parte dextra.

CONFUTATIS

Confutatis maledictis, flammis acribus additis,
Voca me cum benedictis. Oro supplex et acclinis, cor
contrictum quasi cinis, gere curam mei finis.

LACRIMOSA

Lacrimosa dies illa, qua resurget ex favilla
judicandus homo reus.
Huic ergo parce, Deus. Pie Jesu Domine!
Dona eis requiem. Amen.

No. 3 – OFFERTORIO

Domine Jesu Christe, Rex golriae, libera animas
omnium fidelium defunctorium de poenis inferni et
de profundo lacu: libera eas de ore leonis, ne
absorbeat eas tartarus, ne cadant in obscurum;
Sed signifer sanctus Michael repraesentet eas in
lucem sanctam, quam olim Abrahae promisisti et
semini ejus. Hostias et preces tibi, Domine, laudis
offerimus; tu suscipe pro animabus illis, quarum
hodie memoriam facimus: fac eas, Domine,
de morte transire ad vitam, quam olim abrahae
promisisti et semini ejus.

No.4 – SANCTUS

Sanctus, Sanctus, Sanctus Dominus, Deus Sabaoth.
Pleni sunt caeli et terra gloria tua. Hosanna in
excelsis. Benedictus, qui venit in nomine Domini.
Hosanna in excelsis.

No. 5 – AGNUS DEI

Agnus Dei, qui tollis peccata mundi:
dona eis requiem.
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi:
dona eis requiem sempiternam.

No.6 – LUX AETERNA

Lux aeterna luceat eis, Domine,
cum sanctis tuis in aeternum, quia pius es.
Requiem aeternam dona eis, Domine,
et lux perpetua luceat eis.
Cum sanctis tuis in aeternum, quia pius es.

No. 7 – LIBERA ME

Libera me, Domine, de morte aeterna,
in die illa tremenda quando coeli movendi sunt et
terra, dum veneris judicare saeculum per ignem.
Tremens factus sum ego, et timeo
dum discussio venerit, atque ventura ira.
Dies illa, dies irae, calamitatis et miseriae,
dies magna et amara valde.
Requiem aeternam, dona eis, Domine,
et lux perpetua luceat eis.

 

Tradução

Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso,
e brilhe para eles a luz eterna.
A Vós convém, Senhor, um hino de louvor em Sião,
e a oferta do nosso voto em Jerusalém.
Ouvi a minha súplica, toda a humanidade comparecerá
diante de Vós. Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso,
e brilhe para eles a luz eterna. Senhor tende piedade de nós.
Cristo tende piedade de nós. Senhor tende piedade de nós.

Dia de Ira, aquele dia Que tudo em cinzas fará,
Diz David e Sibila.
Que temor há de então ser Quando o Juiz vier
Julgar tudo com Rigor?

O som forte da Trombeta, entre os jazigos dos mortos
Junto ao trono os levará.
Todo o mundo há-de pasmar, quando a criatura se erguer
Para responder ao Juiz.

Um livro será trazido no qual tudo está contido
Por onde há-de ser julgado o mundo.
Quando o Juiz se sentar, tudo o que está oculto há de
Aparecer, nada impune ficará.

Que hei-de eu pobre, então dizer? A quem hei-de recorrer,
Se nem o justo está seguro?

Rei tremendo em majestade, que por favor nos salvais,
Salvai-me por piedade.

Recordai-Vos, bom Jesus, que por mim do Céu descestes;
Não me percais nesse dia. Por me buscar, Vos cansastes, para
me remir padecestes; Não seja em vão tanta dor!
Juiz sumamente justo, dai-me o dom de Vossa graça
Antes que vá a juízo.

Gemo, como sendo réu, sinto pejo do pecado;
Suplico, perdoai-me.
Vós que absolvestes Maria, e ao ladrão não desprezastes,
A mim destes uma esperança.
Minhas preces não são dignas, mas Vós que sois bom,
por clemência, não me abandoneis ao fogo.
Colocai-me entre as ovelhas, separai-me então dos bodes,
dai-me lugar à tua direita.

Confundidos os malditos, entregues ao fogo eterno,
Chamai-me com os escolhidos. Peço humilde e suplicante, de
coração como a cinza: Cuidai de mim.

Dia de lágrima, esse dia em que do pó se erguerá,
O homem para ser julgado.
Perdoai-lhe, Senhor Deus. Vós que sois bom, ó Jesus,
Dai-lhes um repouso eterno. Amen.

Senhor Jesus Cristo, Rei da Glória, livrai as almas de todos os
fiéis defuntos das penas do inferno e do abismo profundo:
livrai-as da boca do leão, não as absorva o tártaro
nem caiam nas trevas;
Mas que o Vosso porta-bandeira S. Miguel
as leve à santa luz, que outrora prometeste a Abraão
e à sua posteridade.
Nós Vos oferecemos, Senhor, vítimas e preces de louvor;
tomai-as por essas almas de que hoje fazemos memória:
Fazei-as, Senhor, passar da morte à vida,
que outrora prometeste a Abraão e à sua posteridade.

Santo, Santo, Santo, o Senhor Deus dos Exércitos.
O Céu e a Terra proclamam a vossa Glória. Hossana nas
alturas. Bendito o que vem em nome do Senhor.
Hossana nas alturas.

Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo:
dai-lhes descanso.
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo:
dai-lhes o eterno descanso.

Que a luz eterna brilhe para eles, Senhor, em companhia
dos vossos santos para sempre, porque sois bom.
Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso,
e que brilhe para eles a luz eterna em companhia
dos Vossos santos para sempre, porque sois bom.

Liberta-me, Senhor, da morte eterna,
naquele dia terrível: Quando os céus e a terra forem movidos
quando vieres julgar o mundo pelo fogo.
Tremo e tenho medo, por causa do dia do julgamento
e da ira que com ele virá.
Aquele dia, um dia de ira, de calamidade e tristeza,
grande dia e verdadeiramente amargo.
Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso,
e brilhe para eles a luz eterna.

Concertos no Património
05Set2019 quinta-feira

18h00 Moinho do Papel
Quarteto de Cordas

19h30 Centro de Diálogo Intercultural de Leiria
Quarteto de Cordas

07Set2019 sábado

18h00 Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira
Grupo de Cordas

21h00 Teatro José Lúcio da Silva
Ensaio Aberto de Madama Butterfly, Ópera em Três Atos, de Giacomo Puccini

08Set2019 domingo

11h00 Museu de Leiria
Grupo de Sopros

TEATRO JOSÉ LÚCIO DA SILVA

Em 1963, José Lúcio da Silva entra em cena e manifesta o desejo de construir um teatro para a cidade. A obra arranca numa antiga propriedade de vinha da família Marques da Cruz, segundo projeto dos Arquitetos Carlos M. Ramos e José Bruschy tornando-se numa inequívoca marca dos tempos modernistas em Portugal.

O lançamento da primeira pedra tem lugar no dia 29 de julho de 1964. A obra fica concluída em cerca de 18 meses, sendo o teatro inaugurado na noite de 15 de janeiro de 1966, um sábado, com a presença do almirante Américo Thomaz.

O Teatro José Lúcio da Silva tornou-se ao longo dos anos numa sala de espetáculos «monumental» com capacidade para 763 lugares apresentando excelentes características cénicas que proporcionam um conforto visual atualmente raro nas salas de projeção, justificando assim a sua posição de relevo na cultura da cidade.

Em setembro de 2005, o Teatro José Lúcio da Silva encerrou as suas portas para dar lugar às obras de vulto para modernização do espaço e equipamentos.

Jardim da Almuinha Grande

Este é o mais recente ex-libris da cidade de Leiria. Inaugurado em maio de 2019, o Jardim da Almuinha Grande, uma aspiração dos leirienses com mais de 25 anos, é um espaço polivalente localizado perto do centro da cidade, cuja zona verde permite a realização de atividades físicas e de lazer, eventos, pequenas feiras, festas, concertos, entre outros.

Acompanhando o percurso do rio Liz, destaca-se ainda a criação de uma ludoteca, um anfiteatro ao ar livre, um miradouro do jardim e do castelo, um longo passeio público e uma grande clareira que constituirá uma zona de prado na qual se prevê uma intensa utilização familiar e intergeracional.

Moinho do Papel

Equipamento reabilitado pelo Arquitecto Siza Vieira é um ex-libris da história da indústria leiriense. O ano de 1411 consagra o início da história do Moinho do Papel de Leiria, um dos primeiros na Península Ibérica, numa época em que a indústria da moagem era determinante para o desenvolvimento económico. Nas recatadas margens do rio Lis, o moinho destaca-se pelas estruturas dos antigos rodízios que submergem no edifício e pelas grandes azenhas que sublimam a imagem de uma indústria artesanal de outrora. No interior, vivencia-se o processo tradicional de produção de papel, em que os visitantes podem participar, e de moagem de cereais, protagonizada com a mestria da moleira. No final, pode comprar as farinhas produzidas com a energia do rio.

CENTRO DE DIÁLOGO INTERCULTURAL

Com um objetivo cultural, ecuménico e turístico, o Centro de Diálogo Intercultural pretende interpretar a presença, ao longo dos séculos, de três importantes religiões em Leiria.

O espaço valoriza a coexistência do Cristianismo, Judaísmo e Islamismo, que se tornaram uma marca de desenvolvimento e de multicuralismo da região até hoje, graças ao acolhimento e contributo cultural e económico de várias comunidades migrantes.

Recorde-se que a Igreja da Misericórdia foi construída em 1544 sobre a sinagoga da comunidade judaica de Leiria que ali existia antes, constituindo um dos 12 projetos âncora, entre os 25 que integram o projeto das Rotas Sefarad, considerado “vital” para o sucesso da Rede de Judiarias de Portugal.

A Rede de Judiarias de Portugal candidatou as Rotas Sefarad ao programa EE A Grants, que conta com uma forte participação da Noruega, mas também da Islândia e do Lichenstein.

O projeto centra-se ainda nas memórias multiculturais de Leiria, como é o caso do poeta, cristão-novo, Francisco Rodrigues Lobo, ou do Padre Joaquim Carreira, que salvou dezenas de pessoas de origem hebraica durante a 2.ª Guerra Mundial.

A recriação da tipografia da família Orta, onde foi impressa pela primeira vez em Portugal uma obra de caráter científico, o “Almanach Perpetuum”, ou tabelas astronómicas, de Abraão Zacuto, assim como a memória da própria Santa Casa da Misericórdia, complementam o projecto que se estende até à Casa dos Pintores.

BIBLIOTECA MUNICIPAL AFONSO LOPES VIEIRA

A doação da coleção particular do poeta Afonso Lopes Vieira (n1878 / †1946), motivou a abertura da Biblioteca Municipal de Leiria, em 1955.

Ficou instalada no edifício dos Paços do Concelho, até 1997, ano em que é inaugurado o espaço atual, no Largo Cândido dos Reis (Terreiro), num edifício restaurado e adaptado às diferentes necessidades dos Leitores.

MUSEU DE LEIRIA

O Museu de Leiria, distinguido com o prémio de Melhor Trabalho sobre Museografia na cerimónia de atribuição dos Prémios Nacionais de Museologia 2016, uma menção honrosa no prémio de Melhor Museu e outra menção honrosa no domínio da Acessibilidade Física entregue pela associação Acesso Cultura, é uma janela aberta sobre a memória de um território longamente habitado que, à entrada do século XXI, se revela com um novo olhar sobre uma realidade complexa.

Ideia surgida ainda em tempos da monarquia liberal, o museu ficou a dever a sua concretização aos esforços persistentes de Tito Larcher (1865-1932), que tomaram forma no Decreto de 15 de novembro de 1917, com a criação do Museu Regional de Obras de Arte, Arqueologia e Numismática de Leiria.

Em 2006 iniciou-se o processo que devolve à vivência da Cidade o Convento de Santo Agostinho, monumento construído a partir de 1577 (a igreja) e 1579 (o complexo conventual), e agora habitado pelo novo Museu de Leiria. O programa museológico, que se procurou participado, enquadra para além do acervo do antigo museu, as coleções artísticas municipais e a reserva arqueológica, constituindo o fulcro da rede de museus concelhios, aberta à Cidade e ao seu território.

O Museu de Leiria organiza-se em dois espaços expositivos. No primeiro apresenta-se uma exposição de longa duração que faz uma leitura geral da história do território, propondo um caminho, necessariamente sumário, por entre a rica e densa floresta de objetos, acontecimentos e mitos, que definem uma identidade central do País. No segundo espaço, que lhe é complementar, são apresentadas exposições temporárias que permitem aprofundar temáticas e coleções específicas.