Viseu.
Foz Côa.
Pinhel.
Leiria.
Batalha.
Coimbra.
Teatro José Lúcio da Silva
sábado
08Set2018
21h30
Elenco

Carla Caramujo, Violeta
Angel Pazos, Alfredo
Luís Rodrigues, Germont
Paulo Lapa, Encenação
Roberto Punzi, Desenho de Luz
Miguel Massip, Cenografia
Ana Berta Cardoso, Figurinos
Coro Sinfónico Inês de Castro
Orquestra da Ópera no Património
José Ferreira Lobo, Direção Musical

Quando Verdi nasceu, numa pequena aldeia, Le Roncole, perto de Busseto, a 9 ou 10 de Outubro de 1813, Beethoven ainda estava vivo e não tinha composto as suas maiores obras. Quando Verdi morreu em 1901 restariam a Mahler pouco mais de dez anos de vida. Nascido no Império francês Verdi foi registado como Joseph Fortunin François Verdi, cidadão francês! A família mudou-se para Busseto onde Verdi beneficiou da enorme biblioteca jesuíta. Aos vinte e três anos casou com Magherita Barezzi, filha do comerciante Barezzi que protegeu Verdi nos seus anos iniciais de músico. As duas filhas de Verdi morreram enquanto bebés e a mulher veio a morrer de encefalite aos 26 anos em 1840. Estes acontecimentos marcaram com o sinal da tragédia toda a vida de Verdi. Se Verdi tinha tido sucesso em Milão com a composição de “Oberto”, a sua segunda ópera “Un giorno di regno”, que compunha enquanto a tragédia se desenrolava à sua volta, foi, compreensivelmente, um fiasco.

O desespero tomou conta de Verdi mas, felizmente, o empresário de Milão, Merelli, convenceu o compositor a escrever “Nabucco” que tornou Verdi numa celebridade musical em toda a Itália. Conta o próprio Verdi que foi a leitura das palavras do célebre coro “Va Pensiero” que o inspiraram a voltar a compor. Foi esse o coro que, com as conotações patrióticas face ao jugo austríaco sobre a Itália do Norte, tornou Verdi uma celebridade. Um coro que se tornou no hino não oficial de Itália e que ainda hoje todo o bom italiano sabe de cor.

O que se seguiu é conhecido, depois de Nabucco, Verdi passou, como ele próprio conta, dezasseis anos de cadeia, frase que representa em sentido figurado o sentimento de um Verdi escravo da sua obra e do seu sucesso, escrevendo nestes dezasseis anos sucesso atrás de sucesso. “Lombardos”, “Ernani”, “Macbeth”, “Trovador”, “Rigoletto” e a “Traviata” de hoje foram compostos neste período. É evidente o salto qualitativo que Verdi deu ao longo destes anos. Verdi é um compositor de uma intuição teatral notável, a sua música, apesar de inicialmente ser simples, de acompanhamentos básicos e de linhas harmónicas pobres, tem uma força dramática enorme. A melodia é perfeita e, sobretudo, Verdi é magistral na escrita para vozes, solistas e coros. Naturalmente, com o tempo, Verdi aperfeiçoa a sua técnica e atinge o clímax, precisamente, com “Rigoletto” e a “Traviata”, que depois refinará ainda mais nas suas duas últimas óperas, “Otello” e “Falstaff”. O ponto fulcral da escrita de Verdi é a sensibilidade para os pontos de tensão nos libretos, alguns destes eram fraquíssimos, como o do Trovador, superados e sublimados através da música que avança em pinceladas que acrescentam tensão e palpitação construindo um drama, através da música, que suplanta a própria trama do libreto através da emoção.

A Traviata, ao contrário do citado Trovador, tem uma base literária sólida. Tendo como base a Dama das Camélias de 1852 de Alexandre Dumas filho, o libreto foi escrito por Francesco maria Piave (1810-1876) um dos libretistas mais utilizados por Verdi, adaptando-se muito bem às fortes exigências do compositor. Verdi viu a peça de teatro em Paris e um ano depois estreava-se a ópera do mesmo nome a 6 de Março de 1853 no La Fenice de Veneza.

O Drama segue a vida de Violeta e de Alfredo, ela uma cortesã, ele um jovem de uma família com algumas pretensões. O seu amor será contrariado pela família do jovem uma vez que a ligação de Alfredo com a cortesã impedirá que a irmã possa casar e ter uma vida digna. Violeta entende os argumentos do pai de Alfredo e abandona-o, para regressar à sua vida anterior para enorme desespero de Alfredo. A tísica acabará por vitimar Violeta que será visitada no leito de morte por Alfredo e até o próprio Germont, pai de Alfredo, se arrependerá. A moral burguesa triunfará numa sociedade ainda hierarquizada e estratificada.

Verdi consegue pintar o drama de forma admirável ao longo dos três actos clássicos da ópera.

Sé Catedral
domingo
09Set2018
16h00
Elenco

Pedro Telles, Barítono
Marina Pacheco, Soprano
Coro Sinfónico Inês de Castro
Orquestra da Ópera no Património
Artur Pinho, Direção Musical

Carl Jenkins nasceu em 1944 em Penclawdd, Gower, no País de Gales de mãe sueca e pai galês.

Toca oboé, saxofone e teclas tendo composto obras em diversos domínios, sendo, assim, um compositor polifacetado cuja arte vai desde o rock ao jazz e, neste caso, a música chamada erudita.

Jenkins teve uma educação formal muito desenvolvida, tendo estudado na Universidade de Cardiff e feito os seus estudos avançados na Royal Academy of Music de Londres tendo um doutoramento em música.

Foi co-fundador do grupo de jazz Nucleus, que ganhou o prémio do Festival de Montreaux em 1970. Jenkins além da música para salas de concerto e encomendas ainda colaborou com Mike Oldfield no seu álbum e DVD “tubular bells”, compôs ainda música para publicidade e vídeo.

Esta missa foi encomendada para as celebrações do milénio. Inspira-se no Requim da Guierra de Britten, mas a sua linguagem é mais conservadora e apologética do que a de Britten, sendo susceptível de agradar a um público muito diversificado.

Nesta missa, sobretudo sobre o texto católico, ou seja, universal, junta ainda a inspiração da música renascentista “O Homem Armado”, cujo tema tantas composições originou ao longo da história começando com uma invocação directa da canção original nas notas agudas dos flautins que depois é tomada pelo coro com sublinhados pelos trompetes.

A missa descreve a ameça da entrada na guerra, que intercala com momentos de introspecção e reflexão. Mostra o terror da guerra em abstracto e apela fortemente à Paz no novo milénio que se abria então quando a obra foi estreada em 25 de Abril de 2000 no Royal Albert Hall de Londres. A entrada acaba em polifonia.

Depois do kyrie mais convencional e introspectivo segue-se um salmo que apela à ajuda de Deus contra os nossos inimigos encarniçados e sanguinários.

O “Sanctus” tem um cariz militar a que se segue o hino de Kipling “Antes da Acção”.

A secção “Charge!” é baseado no poema de John Dryden "A song for St. Cecilia's day" de 1687 and Jonathan Swift que cita Horácio nas suas odes 3, 2 e 13acabando com os gritos horríveis dos que agonizam no campo de batalha e o silêncio arrepiante do campo pejado de mortos.

"Chamas em Fúria" descreve as cenas horrendas após a bomba de Hiroxima, "Torches" coloca isto em paralelo com um excerto do livro de Mahabharata em que se descreve a agonia da morte pelo fogo dos animais no incêndio da floresta de Khandava.

Ao mais clássico Agnus Dei segue-se o "Now the Guns have Stopped", escrito por Guy Wilson sobre a culpa sentida pelos sobreviventes da Primeira Guerra Mundial

Depois do “Benedictus” a missa acaba com "Better is Peace" sobre o poema de Tennyson's "Ring Out, Wild Bells".

Concertos no Património
06Set2018 quinta-feira

18h00 Moinho do Papel
Quarteto de Cordas

19h30 Igreja da Misericórdia
Quarteto de Cordas

07Set2018 sexta-feira

18h30 Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira
Grupo de Sopros

21h30 Teatro José Lúcio da Silva
Ensaio Aberto da Ópera La Traviata

08Set2018 sábado

18h00 Museu de Leiria
Grupo de Cordas

Sé Catedral

A Catedral de Leiria está classificada como monumento nacional. Trata-se de um edifício maneirista, sóbrio, cuja construção se iniciou em 1559, na sequência da demolição da Igreja de São Martinho (entre 1546 e 1549), e abertura da respetiva praça. Apresenta planta em cruz latina composta por três naves e cabeceira tripartida. Possui claustro de três alas adossado à cabeceira. A torre sineira, construída na zona das Portas do Sol (ou Sul) da vila muralhada, encontra-se individualizada da Sé.

TEATRO JOSÉ LÚCIO DA SILVA

Em 1963, José Lúcio da Silva entra em cena e manifesta o desejo de construir um teatro para a cidade. A obra arranca numa antiga propriedade de vinha da família Marques da Cruz, segundo projeto dos Arquitetos Carlos M. Ramos e José Bruschy tornando-se numa inequívoca marca dos tempos modernistas em Portugal.

O lançamento da primeira pedra tem lugar no dia 29 de julho de 1964. A obra fica concluída em cerca de 18 meses, sendo o teatro inaugurado na noite de 15 de janeiro de 1966, um sábado, com a presença do almirante Américo Thomaz.

O Teatro José Lúcio da Silva tornou-se ao longo dos anos numa sala de espetáculos «monumental» com capacidade para 763 lugares apresentando excelentes características cénicas que proporcionam um conforto visual atualmente raro nas salas de projeção, justificando assim a sua posição de relevo na cultura da cidade.

Em setembro de 2005, o Teatro José Lúcio da Silva encerrou as suas portas para dar lugar às obras de vulto para modernização do espaço e equipamentos.

BIBLIOTECA MUNICIPAL AFONSO LOPES VIEIRA

A doação da coleção particular do poeta Afonso Lopes Vieira (n1878 / †1946), motivou a abertura da Biblioteca Municipal de Leiria, em 1955.

Ficou instalada no edifício dos Paços do Concelho, até 1997, ano em que é inaugurado o espaço atual, no Largo Cândido dos Reis (Terreiro), num edifício restaurado e adaptado às diferentes necessidades dos Leitores.

MUSEU DE LEIRIA

O Museu de Leiria, distinguido com o prémio de Melhor Trabalho sobre Museografia na cerimónia de atribuição dos Prémios Nacionais de Museologia 2016, uma menção honrosa no prémio de Melhor Museu e outra menção honrosa no domínio da Acessibilidade Física entregue pela associação Acesso Cultura, é uma janela aberta sobre a memória de um território longamente habitado que, à entrada do século XXI, se revela com um novo olhar sobre uma realidade complexa.

Ideia surgida ainda em tempos da monarquia liberal, o museu ficou a dever a sua concretização aos esforços persistentes de Tito Larcher (1865-1932), que tomaram forma no Decreto de 15 de novembro de 1917, com a criação do Museu Regional de Obras de Arte, Arqueologia e Numismática de Leiria.

Em 2006 iniciou-se o processo que devolve à vivência da Cidade o Convento de Santo Agostinho, monumento construído a partir de 1577 (a igreja) e 1579 (o complexo conventual), e agora habitado pelo novo Museu de Leiria. O programa museológico, que se procurou participado, enquadra para além do acervo do antigo museu, as coleções artísticas municipais e a reserva arqueológica, constituindo o fulcro da rede de museus concelhios, aberta à Cidade e ao seu território.

O Museu de Leiria organiza-se em dois espaços expositivos. No primeiro apresenta-se uma exposição de longa duração que faz uma leitura geral da história do território, propondo um caminho, necessariamente sumário, por entre a rica e densa floresta de objetos, acontecimentos e mitos, que definem uma identidade central do País. No segundo espaço, que lhe é complementar, são apresentadas exposições temporárias que permitem aprofundar temáticas e coleções específicas.

 

CENTRO DE DIÁLOGO INTERCULTURAL

Com um objetivo cultural, ecuménico e turístico, o Centro de Diálogo Intercultural pretende interpretar a presença, ao longo dos séculos, de três importantes religiões em Leiria.

O espaço valoriza a coexistência do Cristianismo, Judaísmo e Islamismo, que se tornaram uma marca de desenvolvimento e de multicuralismo da região até hoje, graças ao acolhimento e contributo cultural e económico de várias comunidades migrantes.

Recorde-se que a Igreja da Misericórdia foi construída em 1544 sobre a sinagoga da comunidade judaica de Leiria que ali existia antes, constituindo um dos 12 projetos âncora, entre os 25 que integram o projeto das Rotas Sefarad, considerado “vital” para o sucesso da Rede de Judiarias de Portugal.

A Rede de Judiarias de Portugal candidatou as Rotas Sefarad ao programa EE A Grants, que conta com uma forte participação da Noruega, mas também da Islândia e do Lichenstein.

O projeto centra-se ainda nas memórias multiculturais de Leiria, como é o caso do poeta, cristão-novo, Francisco Rodrigues Lobo, ou do Padre Joaquim Carreira, que salvou dezenas de pessoas de origem hebraica durante a 2.ª Guerra Mundial.

A recriação da tipografia da família Orta, onde foi impressa pela primeira vez em Portugal uma obra de caráter científico, o “Almanach Perpetuum”, ou tabelas astronómicas, de Abraão Zacuto, assim como a memória da própria Santa Casa da Misericórdia, complementam o projecto que se estende até à Casa dos Pintores.

Moinho do Papel

Equipamento reabilitado pelo Arquitecto Siza Vieira é um ex-libris da história da indústria leiriense. O ano de 1411 consagra o início da história do Moinho do Papel de Leiria, um dos primeiros na Península Ibérica, numa época em que a indústria da moagem era determinante para o desenvolvimento económico. Nas recatadas margens do rio Lis, o moinho destaca-se pelas estruturas dos antigos rodízios que submergem no edifício e pelas grandes azenhas que sublimam a imagem de uma indústria artesanal de outrora. No interior, vivencia-se o processo tradicional de produção de papel, em que os visitantes podem participar, e de moagem de cereais, protagonizada com a mestria da moleira. No final, pode comprar as farinhas produzidas com a energia do rio.