Foz Côa.
Pinhel.
Leiria.
Coimbra.
batalha.
Viseu.
Praça do Município
sábado
17Ago2019
21h00
Elenco

Carlos Guilherme, Sansão
Gisela Sachse, Dalila
Pedro Telles, Grande Sacerdote de Dagon
Henrique Silveira, Narração
Mariana Figueroa, Designer de Luz
Ana Berta Cardoso, Figurinos
Orquestra da Ópera no Património
José Ferreira Lobo, Direção Musical

Tensão e conflito

Samson et Dalila – Tensão resolvida pela morte

Camille Saint Saëns, compositor nascido em 1835 e falecido em 1921, cavalga uma extraordinária viagem do pleno romantismo ao modernismo. A sua vida passa por Berlioz, Chopin, Liszt, Wagner, Richard Strauss, Mahler, Debussy e Schönberg. Começa por ser moderno e acaba como um dos mais empedernidos reacionários da história da música. Odiando alegremente e de forma positiva todos os compositores não franceses e quase todos os franceses, consegue atacar nos seus escritos finais Franck, Ravel e Debussy, a par de toda a música italiana e alemã. É, no entanto, Liszt que promove a estreia em 1877 do Sansão em Weimar, traduzido para alemão, suprema ironia, uma vez que em França a obra não tinha suscitado interesse. É a única ópera de Saint Saëns, das 13 que escreveu, que passou ao repertório depois da sua estreia em França em 1890, na língua original em que Lemaitre tinha escrito.

Sansão e Dalila é a história bíblica do Livro dos Juízes que relata parte dos conflitos entre Filisteus, que hoje se supõe serem gregos, e os Hebreus. Toda a ópera está centrada em torno do dueto de amor entre os dois personagens centrais. Toda a estrutura foi imaginada como aproximação e afastamento deste ponto zenital no segundo ato. Uma realização de Saint-Saëns que, nesta ópera, transcende os aspectos meramente técnicos e de métier que caracterizam a imensa maioria das suas partituras. A sua estrutura é clara: I ato: Introdução e apresentação, II – Amor e traição subjacente, III – Queda e vingança apocalíptica.

Sansão e Dalila não é uma ópera perfeita: as convenções da Grand Opéra francesa obrigam à inclusão de bailados, onde se destaca a bacanal, que perturbam a acção dramática, e de grandes massas corais, que o compositor, aliás, domina magistralmente. A sombria abertura impressiona na sua simplicidade, nas suas cordas graves, sombrias e imponentes, pelo tema obsessivo e trágico introduzido pelas violas e pela subtil amplificação de meios que se estende à orquestra.

Saint-Saëns utiliza magistralmente a cor harmónica para caracterizar a acção, o imensamente trágico si bemol menor, quase sinistro, que encerra o segundo ato revela a má consciência de Dalila e a funesta consequência da confidência de que a força do hebreu reside na sua cabeleira.

Utilizando a cor harmónica como elemento fulcral no enredo, Saint-Saëns utiliza o Lá Maior para as mulheres filistinas, o si bemol menor para os desfechos trágicos, os cromatismos para descrever as quentes paisagens do palácio de Sorek, o sol menor traz-nos a prisão e a cegueira de Sansão em que as figuras circulares nas cordas nos trazem a inexorável rotação do moinho no início do terceiro ato.

O fortíssimo final apocalíptico vê o si bemol menor transformar-se em Si bemol Maior: afinal a ruína do templo de Dagon e a morte de todos os que encerra, incluindo Sansão, é a vitória do Deus de Israel sobre os ímpios Filisteus. Sansão que estava cego antes de cegar e que viu a luz depois de lhe terem arrancado os olhos. Samson et Dalila é a ópera de um arquiteto que domina a sua arte e sabe o que quer, que doseia tensões, que não explora o óbvio: falta o episódio da queixada de asno que Samson utiliza para devastar as hostes filistinas.

Sansão e Dalila é um catálogo de arte musical, progressões, cadências, fugas, bailados, um grande dueto de amor, provocações, escárnio e apocalipse. Que mais se pode desejar? É ópera em toda a sua paixão.

Igreja Matriz
domingo
18Ago2019
18h00
Elenco

Ângela Alves, Soprano
Rómulo Assis, Violino
Orquestra da Ópera no Património
Artur Pinho Maria, Direção Musical

Jakob Ludwig Felix Mendelssohn Bartholdy, mais conhecido como Felix Mendelssohn, nasceu em Hamburgo a 3 de Fevereiro de 1809 vinda a falecer em Leipzig a 4 de Novembro de 1847. Ao contrário da maior parte dos compositores e artistas seus contemporâneos, gozou de assinalável conforto financeiro. Era filho do banqueiro Abraham Mendelssohn e de Lea Solomon, ambos de famílias judaicas, mas convertidos ao protestantismo luterano.

Os seus pais que, entretanto, se tinham mudado para Berlim em 1811, deram uma educação esmerada aos seus filhos. Felix era uma criança prodígio, compôs a sua primeira obra aos 13 anos, tendo sido aluno do grande Moscheles, que acompanhou a vida do jovem compositor como colega e amigo.

Mendelssohn tornou-se uma personalidade muito influente, apesar da sua juventude, no panorama cultural alemão da sua época. Era um chefe de orquestra extremamente reconhecido, fama que adquiriu em 1929 ao redescobrir e interpretar a Paixão Segundo S. Mateus de Bach, obra-prima esquecida desde a morte de Bach ocorrida em 1750. Era também um excelente intérprete ao piano e ao órgão, tendo escrito música para os dois instrumentos.

A sua música sempre apesar da paixão que transparece, por exemplo neste concerto, com temas belíssimos de um lirismo doce, não produz ruturas acentuadas com o seu tempo. Esse facto, e o também ser judeu, valeu-lhe o desprezo de Wagner e de muitos outros arautos da “música do futuro” na Alemanha sendo desprezado pela crítica alemão, ao contrário de Inglaterra onde o seu prestígio se manteve intocado.

 

O concerto para violino e orquestra em Mi menor opus 64 data de 1844 e foi escrito para Ferdinand David amigo do compositor e concertino da Orquestra do Gewandhaus de Leipzig.

David trabalhou com o compositor e estreou o concerto, precisamente em Leipzig em 1844. A instrumentação é clássica, com sopros a dois e apenas tímpanos na percussão. A obra divide-se em três andamentos:

1. Allegro molto appassionato (Mi Menor)
2. Andante (Dó Maior)
3. Allegretto non troppo – Allegro molto vivace (Mi Maior)

O violino introduz o tema de início, algo pouco habitual na altura, mas a estrutura é numa forma sonata clássica, com exposição dos temas, desenvolvimento candência pelo violino, escrita como parte integrante do concerto e não improvisada, recapitulação dos temas e coda.

Não há interrupção entre o primeiro e segundo andamentos, sendo assegurada a transição por uma nota sustentada do fagote. O segundo andamento é de uma beleza e poesia ímpares. Quem não se lembra do Till glädje (1950) (Rumo à felicidade) de Ingmar Bergman e do falhanço do jovem músico, que aspirava a ser um grande solista, neste andamento quando, finalmente, tem uma oportunidade de se apresentar em público a solo? É precisamente na parte mais expressiva da obra que a qualidade de um possível grande solista se evidencia. Este andamento é um canto lírico numa forma ternária em que a secção central em Lá menor é mais sombria, com laivos trágicos e se retoma no final o tema inicial. O concerto fecha-se, com um andamento que começa alegretto suave e depois se torna muito vivo. A estrutura é em sonata rondo, uma forma com estribilho com episódios temáticos intercalados. A unidade deste concerto, que não apresenta separações entre andamentos, para evitar o aplauso que na altura se fazia, resulta também do material temático que, apesar de muito belo e variado, tem um carácter aparentado, e pela estrutura arquitetónica cujo centro mais sombrio no meio do segundo andamento é o verdadeiro núcleo do concerto.


Wolfgang Amadeus Mozart nasceu em Salzburg em 1756 e faleceu em Viena em 1791. Na sua vida de 35 anos Mozart escreveu 22 óperas tendo iniciado a sua carreira operática de compositor apenas aos 11 anos. As três óperas que realizou com libretos de Lorenzo da Ponte (1749-1838) são, talvez, as que mais perduraram no consciente colectivo. São as Bodas de Fígaro, D. Giovanni e Così fan tutte.

O padre Da Ponte, um notável escritor, era padre católico em Veneza onde também ensinava latim, italiano e francês. Sendo padre da igreja de S. Lucas, vivia com uma amante da qual tinha dois filhos. Viria a ter de escapar de Veneza por ter sido condenado por ter “raptado uma senhora de bem”, “ter uma vida dissoluta”, “viver num bordel e aí organizar as festividades e divertimentos”.
Seria em Viena que o bom padre e Mozart se encontraram, é bom de dizer que uma das cantoras que participaram na estreia de Fígaro era amante de Da Ponte.

 

Exsultate Jubilate

“Exsultate Jubilate” é um motete para voz solista e orquestra, composta para um castrado, cantores a quem se extraiam os testículos ainda crianças de forma a manterem a voz infantil, prática abominável que terminava em muitos casos com a morte do menino devido às más condições em que se realizava a operação, Rauzzini de seu nome.

Data de 1773 e foi realizada durante a composição de Lucio Silla em Milão, o cantor era protagonista da ópera. O motete, hoje em dia cantado por um soprano, é extremamente exigente do ponto vocal devido aos seus melismas e extensão. Divide-se em três secções,

I. Allegro – Recitativo,
2. Andante
3. Allegro.

Apesar da sua natureza formal litúrgica é, de facto, uma ária de concerto e Mozart também utilizou a composição dessa forma que perdurou até aos dias de hoje.

 

Texto de Exsultate Jubilate

Exsultate, jubilate,
O vos animae beatae
exsultate, jubilate,
dulcia cantica canendo;
cantui vestro respondendo
psallant aethera cum me.

Fulget amica dies,
jam fugere et nubila et procellae;
exortus est justis inexspectata quies.

Undique obscura regnabat nox,
surgite tandem laeti qui timuistis adhuc,
et jucundi aurorae fortunatae
frondes dextera plena et lilia date.

Tu virginum corona,
tu nobis pacem dona,
tu consolare affectus,
unde suspirat cor.
Alleluja.

 

Tradução

Exultai, jubilai,
Oh vós, almas abençoadas
Exultai, jubilai,
Cantando doces canções;
Em resposta aos vossos cânticos
Deixai os Céus cantar comigo.

Dias felizes refulgi,
Nuvens e tempestades fujam;
Para o justo surgiu a inesperada calma.

Onde a noite escura reinava,
Vós que temíeis, não temei mais,
E a jocunda aurora afortunada
Nos dê ramagens e lírios às mãos-cheias.

Tu, coroa de virgens,
Dai-nos a paz,
Consola os nossos sentimentos,
Pelos quais nossos corações suspiram.
Aleluia.

 

Voltamos ao ano anterior a de 1786, ano de estreia das bodas, estamos em 1785, para encontrar a 9 de Março uma nota de Mozart no topo da primeira página do autógrafo afirma em italiano que tinha concluído o concerto em Dó Maior nesta data, classificado por Köchel como 467, o vigésimo primeiro concerto para piano do compositor de Salzburg.

Este concerto majestoso foi composto quatro semanas depois de Mozart terminar mais um concerto para piano, vigésimo, em Ré menor. Na Primavera seguinte organizou concertos por subscrição pública e interpretou-os de forma a ganhar alguns proventos. Estes concertos eram garantidamente um sucesso, devido à fama de virtuoso de Mozart, e geravam um bom rendimento. É graças a esta capacidade de gerar receitas que temos hoje a sorte de dispor de tantos concertos para piano e orquestra de Mozart. Infelizmente, à medida que o tempo passava, o jovem compositor foi sofrendo cada vez mais das articulações, teria uma artrite reumatoide que se manifestou muito cedo pouco após os trinta anos, e teve de abandonar esta prática, deixando de compor esta forma à medida que se aproximou da data da sua morte aos trinta e cinco anos.

Este concerto divide-se em três andamentos e dura aproximadamente 28 minutos, um dos mais longos de Mozart.

I. Tempo ordinário em Dó Maior, Mozart não dá indicação de tempo no autógrafo, este termo designa a prática usual de o primeiro andamento ser relativamente rápido, costuma fazer-se em allegro embora haja autores como Wim Winters, que pretendem que o tempo deva ser um pouco mais moderado, o que daria um ar mais cantabile ao primeiro andamento.
II. Andante em Fá Maior, Mozart designa este andamento “alla breve” no autógrafo.
III. Allegro vivace assai em Dó Maior, rondó

A instrumentação é entregue a uma flauta, dois oboés, dois fagotes, duas trompas, dois trompetes, cordas e tímpanos, os sopros têm um papel de destaque, tendo as partes muito desenvolvidas, o que revela a tendência de Mozart para compor música completa para todos os naipes em pé de igualdade, não dando apenas primazia às cordas, como então era prática habitual.

O primeiro andamento é uma forma sonata, Mozart investiu imenso nesta obra, como revela a orquestração que utiliza trompetes e tímpanos. O primeiro andamento começa por uma marcha muito jubilosa, após esta entrada entram os metais que apresentam um tema secundário que se mescla com o tema principal. O piano entra de forma subtil em harpejos e uma curta cadência que retorna ao tema principal do andamento. Na parte mais solística o piano desenvolve o tema, passando em seguida à tonalidade da dominante, o Sol Maior. O génio de Mozart para a surpresa e inventiva musical anuncia a atmosfera da sinfonia nº 40, agora em Sol menor. Surge então de novo o tema principal modulado na dominante de Sol Maior. Voltamos então às notas do início e à reexposição do tema, ainda em Sol, escuta-se então a cadência, anunciada de forma muito vigorosa pela fanfarra e demais instrumentos, que nos devolve a tonalidade da tónica, o sempre brilhante Dó Maior.

O segundo andamento é uma canção em forma A-B-A iniciada de forma muito suave em termos dinâmicos, o tema é dos mais belos que Mozart imaginou. Bastaria escutar este andamento para se perceber que Mozart é um dos maiores vultos da história da música, como Olivier Messiaen tão bem notou sobre este mesmo andamento. Um monumento de beleza etérea, em que os instrumentos de sopro e cordas dialogam com o piano criando um conciliábulo para a eternidade. Mozart prima também pela inventiva e pela surpresa, intercalando novas melodias e fazendo-as jogar com os temas principais ao longo do andamento, criando também tensão harmónica através da modulação, mas nunca através de grandes contrastes dinâmicos que não existem neste andamento. Uma breve coda, ou seja, cauda em português, sempre muito suave, encerra este andamento. Note-se que este trecho foi utilizado pelo cinema no filme sueco Elvira Madigan de Bo Widerberg, o que tornou esta música ainda mais conhecida junto do grande público na altura da estreia do filme em 1967. O que mais nos impressiona é a poesia sem par destas páginas de um Mozart que nos fala desde o Infinito para o nosso coração, um Mozart imortal.

O terceiro andamento é o tradicional rondó, começa de forma vertiginosa no piano, é uma forma sonata com estribilho e episódios temáticos intercalados entre cada enunciado do refrão. Um andamento efervescente de virtuosismo que recapitula harmonicamente os precedentes dando trabalho aos fagotes e demais sopros, e com um lindíssimo solo de clarinete a criar contraste no episódio central, mais dramático. Os contrastes mais líricos sucedem-se, mas a atmosfera geral é sôfrega e vertiginosa. Todo este concerto é uma obra-prima.

Concertos no Património
15Ago2019 quinta-feira

18h00 Igreja Matriz de Muxagata
Grupo de Cordas

21h00 Igreja Matriz de Seixas
Grupo de Sopros

17Ago2019 sábado

15h00 Igreja de S. João Batista – Cedovim
Quarteto de Cordas

18Ago2019 domingo

10h00 Museu do Côa
Grupo de Cordas

11h30 Museu do Côa
Quarteto de Cordas

 

Igreja Matriz

A Igreja Matriz de Vila Nova de Foz Côa é considerada um dos mais belos monumentos do interior norte de Portugal.

Ergue-se no centro da cidade, numa ampla praça que integra um belíssimo conjunto arquitetónico do qual fazem parte o pelourinho manuelino (século XVI) e o edifício dos Paços do Concelho.

É uma igreja de arquitetura manuelina, com um amplo e bem decorado pórtico. No interior, três naves demarcadas por altas colunas de granito, que se encontram levemente inclinadas, evidenciando efeitos do grande terramoto de 1755.

A cobertura de 1767 apresenta uma pintura de perspetiva, tanto na nave central, em abóboda de berço, como nas laterias em meia abóboda de aresta.

Tem três altares laterais, com retábulos de talha dourada e policromada: à direita, o altar de São Miguel, com imagem do arcanjo em madeira estofada, trabalho português do século XVIII, e uma peculiar figuração das Almas na parte inferior; à esquerda, os altares de Nossa Senhora das Dores, com escultura de José Ferreira Thendim, e do Coração de Jesus.

O púlpito, oitavado e integrado numa das colunas da nave, é uma bela obra em granito, assente em pedestal.

Junto ao arco triunfal, encontra-se o altar de Nossa senhora do Rosário, escultura portuguesa do século XVI em pedra de Ançã policromada; e o altar de Nossa Senhora das Graças, escultura de meados do século XIX.

Na Capela-mor, o magnifico retábulo em talha dourada, de estilo nacional, do século XVIII, tem cinco pares de colunas e está encimado pelo escudo real.

O sacrário é de grande dimensão, com belíssimo trabalho em talha dourada, e porta com decoração inspirada na Arca da Aliança, guardada por anjos, como refere o Antigo Testamento.

Na parte superior do retábulo, estão dois notáveis conjuntos escultóricos em madeira policromada do século XVII: Nossa Senhora do Pranto, padroeira da igreja, e a Santíssima Trindade.

O antigo políptico quinhentista que reveste atualmente as paredes laterais foi integrado na decoração barroca.

O teto em caixotões de madeira representa cenas da vida de Nossa Senhora de São José.

Museu do Côa

O Museu do Coa é uma estrutura do Parque Arqueológico do Vale do Coa. Foi inaugurado em 30 de julho de 2010 e recebeu já, desde a abertura, mais de 100.000 visitantes.

Implanta-se sobranceiro à junção do Côa com o Douro, perfeitamente integrado numa paisagem de grande beleza natural. O edifício foi concebido por Camilo Rebelo e Tiago Pimentel, uma dupla de arquitetos do Porto.

Mais do que um museu de arqueologia, o Museu do Côa é, em primeiro lugar, um museu de arte. Que trata fundamentalmente da nossa arte das origens e da sua importância no ordenamento dos espaços vivenciais das sociedades pré e proto-históricas, mas procurando vincar a sua ligação à nossa contemporaneidade.

A museografia foi concebida, dentro de todo o rigor científico, como uma mostra explicativa dos ciclos de arte rupestre do Baixo Côa e Douro superior. Que se iniciam no Paleolítico superior, há mais de 25.000 anos, e chegam até aos nossos dias. Com obras quer dos caçadores-artistas do Gravettense, quer dos últimos moleiros rupestres da Canada do Inferno, o Museu do Côa explana todo um catálogo de sensibilidades que se contêm na rudeza dos painéis de xisto que há milhões de anos moldam a geomorfologia regional.

Claro que o verdadeiro museu será o vale onde se contêm mais de 1.000 rochas decoradas. Cuja síntese paradigmática se apresenta no Museu do Côa.

Fechado das 12:30 às 14:00 durante a época baixa (20 de outubro até ao último dia de fevereiro)

visitas@arte-coa.pt

www.arte-coa.pt

 

Paços do Concelho

O edifício dos PAÇOS DO CONCELHO é de 1858 e substituiu um provável edifício seiscentista, que se tornou demasiado pequeno para as necessidades do concelho, agora (1855) a receber as freguesias dos extintos concelhos de Freixo de Numão, Marialva e Almendra. A porta principal é em arco abatido enquadrado por pilastras estriadas e encimada por janela de sacada. Apresenta armas de D. Pedro V e frontão sem retorno.