Viseu.
Foz Côa.
Pinhel.
Leiria.
Batalha.
Coimbra.
Pátio das Escolas - Universidade de Coimbra
sábado
29Set2018
21h30
Elenco

Carlos Guilherme, Sansão
Maria Ermolaeva, Dalila
Pedro Telles, Grande Sacerdote de Dagon
Sofia Ângelo, Encenação
Raquel Cabral, Coreografia
Paulo Lapa, Direção Cena
Roberto Punzi, Desenho de Luz
Ana Berta Cardoso, Figurinos
Henrique Silveira, Narração
Orquestra da Ópera no Património
José Maria Moreno, Direção Musical

 

 

Camille Saint Saëns, compositor nascido em 1835 e falecido em 1921, cavalga uma extraordinária viagem do pleno romantismo ao modernismo. A sua vida passa por Berlioz, Chopin, Liszt, Wagner, Richard Strauss, Mahler, Debussy e Schönberg. Começa por ser moderno e acaba como um dos mais empedernidos reaccionários da história da música. Odiando alegremente e de forma positiva todos os compositores não franceses e quase todos os franceses, consegue atacar nos seus escritos finais Franck, Ravel e Debussy, a par de toda a música italiana e alemã. É, no entanto, Liszt que promove a estreia em 1877 do Sansão em Weimar, traduzido para alemão, suprema ironia, uma vez que em França a obra não tinha suscitado interesse. É a única ópera de Saint Saëns, das 13 que escreveu, que passou ao repertório depois da sua estreia em França em 1890, na língua original em que Lemaitre tinha escrito.

Sansão e Dalila é a história bíblica do Livro dos Juízes que relata parte dos conflitos entre Filisteus, que hoje se supõe serem gregos, e os Hebreus. Toda a ópera está centrada em torno do dueto de amor entre os dois personagens centrais. Toda a estrutura foi imaginada como aproximação e afastamento deste ponto zenital no segundo acto. Uma realização de Saint-Saëns que, nesta ópera, transcende os aspectos meramente técnicos e de métier que caracterizam a imensa maioria das suas partituras. A sua estrutura é clara: I acto: Introdução e apresentação, II – Amor e traição subjacente, III – Queda e vingança apocalíptica.

Sansão não é uma ópera perfeita: as convenções da Grand Opéra francesa obrigam à inclusão de bailados, onde se destaca a bacanal, que perturbam a acção dramática, e de grandes massas corais, que o compositor, aliás, domina magistralmente. A sombria abertura impressiona na sua simplicidade, nas suas cordas graves, sombrias e imponentes, pelo tema obsessivo e trágico introduzido pelas violas e pela subtil amplificação de meios que se estende à orquestra.

Saint-Saëns utiliza magistralmente a cor harmónica para caracterizar a acção, o imensamente trágico si bemol menor, quase sinistro, que encerra o segundo acto revela a má consciência de Dalila e a funesta consequência da confidência de que a força do hebreu reside na sua cabeleira.

Utilizando a cor harmónica como elemento fulcral no enredo, Saint-Saëns utiliza o Lá Maior para as mulheres filistinas, o si bemol menor para os desfechos trágicos, os cromatismos para descrever as quentes paisagens do palácio de Sorek, o sol menor traz-nos a prisão e a cegueira de Sansão em que as figuras circulares nas cordas nos trazem a inexorável rotação do moinho no início do terceiro acto.

O fortíssimo final apocalíptico vê o si bemol menor transformar-se em Si bemol Maior: afinal a ruína do templo de Dagon e a morte de todos os que encerra, incluindo Sansão, é a vitória do Deus de Israel sobre os ímpios Filisteus. Sansão que estava cego antes de cegar e que viu a luz depois de lhe terem arrancado os olhos. Samson et Dalila é a ópera de um arquitecto que domina a sua arte e sabe o que quer, que doseia tensões, que não explora o óbvio: falta o episódio da queixada de asno que Samson utiliza para devastar as hostes filistinas.

Sansão e Dalila é um catálogo de arte musical, progressões, cadências, fugas, bailados, um grande dueto de amor, provocações, escárnio e apocalipse. Que mais se pode desejar? É ópera em toda a sua paixão.

Paço Real

O Paço Real era o local destinado aos aposentos do Rei de Portugal, quando em Coimbra. É neste espaço que encontra os locais mais emblemáticos do quotidiano da Universidade,  mas também tiveram lugar aqui momentos chave da História de Portugal.
A Sala dos Grandes Atos, é a principal sala da Universidade e local onde se realizam as principais cerimónias académicas; é também o local por excelência da realização das provas doutorais dos doutorandos da Universidade de Coimbra, e é mais conhecida como “Sala dos Capelos”, nome dado à pequena capa usada pelos Doutores da Universidade em ocasiões solenes.
Foi a primeira Sala do Trono de Portugal. Teve lugar aqui, entre março e abril de 1385, a reunião das Cortes que determinaram a aclamação de D. João, o Mestre de Avis, Rei de Portugal. A sua atual configuração, do séc. XVII, é marcada pela ausência de qualquer referência aos monarcas espanhóis que governaram o reino entre 1580 e 1640, reflexo do enorme apoio político e ideológico da Instituição a D. João IV.
A Sala do Exame Privado, antigos aposentos do Rei, era o local onde os licenciados realizavam as suas provas a Doutores. Esta consistia num exame oral privado, feita à porta fechada e à noite. A sua exigência era tal que a sua memória se manteve após o seu fim, com a Reforma Pombalina, na década de 70 do séc. XVIII. A sua atual disposição data das grandes obras da Universidade, no início do séc. XVIII.
A Sala das Armas alberga as armas (alabardas) da extinta Guarda Real Académica, que tinha como função a guarda dos espaços da Universidade. Estas armas são utilizadas pelos Archeiros – herdeiros do corpo de guarda original - apenas nas cerimónias académicas solenes: Doutoramentos solenes e Honoris causa, Investidura do Reitor, Abertura Solene das Aulas.

INFORMAÇÕES: 239 242 744 | 239 242 747 (dias úteis das 9h00 às 17h00)
http://www.uc.pt/informacaopara/visit/contact