Foz Côa.
Pinhel.
Leiria.
Coimbra.
batalha.
Viseu.
Claustro Afonso V
sábado
21Set2019
21h30
Elenco

Angel Pazos, Tenor
Roberto Punzi, Direção Cénica e Desenho de Luz
Ballet Cristina Guadaño
Grupo Vocal da Ópera no Património
Orquestra da Ópera no Património 
José María Moreno, Direção Musical

A zarzuela é um dos mais apaixonantes géneros musicais da vizinha Espanha. Uma das muitas razões para este fascínio é o facto de ela aliar (com o maior dos à vontades e sem incomodidades ou pruridos intelectualizantes) a cultura musical erudita e (estilizados, transfigurados, por vezes quase em estado puro) elementos da cultura musical popular. 

Não procurando fazer qui a arqueologia da zarzuela, esta noite vamos centrar-nos numa série de autores que fizeram com que se considerasse o século que decorre de meados do século XIX a meados do século XX como a época áurea do género. Assim, ouviremos trechos de compositores com apelidos conhecidos por todos os espanhóis: Barbieri, Soutull y Vert, Bretón, Sorozabal, Vives, Gimenez, Moreno Torroba, Chueca. 

Francisco Asenjo Barbieri viveu de 1823 a 1894 e escreveu famosos títulos: El Barberillo de Lavapiés, Los diamantes de la corona, Pan y toros são alguns eles. A cidade de Madrid é central na sua obra (Lavapiés é uma zona da cidade) e é, pois, para lá que vamos no início. 

Reveriano Soutullo (nasceu em 1880 e morreu em 1932) e Juan Vert (que viveu de 1890 a 1931) formaram entre 1919 e 1931 uma famosa parelha que assinou vários títulos que os espanhóis não se resignaram a esquecer: La leyenda del beso, La del soto del parral e El último romântico serão os mais populares. Soutullo era galego, Vives era valenciano, o que prova o quão unificador pode ser o fenómeno da zarzuela. Ouviremos um Intermezzo de La leyenda del beso, obra de 1924. 

Pablo Sorozábal viveu de 1897 a 1988 e deixou-nos também famosos títulos: La del manojo de rosas (1934), Don Manolito (1943), etc.. La Tabernera del Puerto, de 1936, é uma das mais populares. Nela se ouve esta desesperada canção de um homem que se julga traído. Um trecho com acentuado clima operático que tem sido favorito de Kraus, Carreras, Domingo e outros grandes tenores. 

A zarzuela é contagiantemente espanhola e nas suas mais conhecidas páginas alia a mais despudorada alegria à mais intensa veia trágica (tão intensa que é por vezes desconcertante para os não latinos). 

A zarzuela, curiosamente, nasceu num pavilhão real construído em terrenos de caça onde o monarca espanhol, cansado, assistia a representações mais ligeiras. O pavilhão estava construído perto de um campo de sarças - em espanhol zarzas, daí o nome de zarzuelas às peças que ali começaram a ser apresentadas. Isto passava-se no século em que também nasceu a ópera! Ora, tal como a ópera, a zarzuela sofreu depois evoluções que a transformaram enormemente. Tal como hoje é estruturada, encontramos várias afinidades entre ela e a opéra comique francesa, com parte do texto recitado e parte cantado. Mas o que distingue a zarzuela é a sua intrínseca ligação a Espanha e às suas melodias, ritmos ou danças. 

Tomás Bretón viveu de 1850 a 1923. Foi compositor e violinista e nasceu em Salamanca. Deixou dezenas de títulos repartidos entre óperas, zarzuelas e sainetes. La verbena de la Paloma foi a sua obra mais famosa e estreou-se em 1894. Dela ouviremos Prelúdio e Seguidillas - Seguidilla é diminutivo de seguida, sequência, e é o nome de uma dança cujo ritmo é usado muitas vezes em trechos cantados. 

Amadeu Vives viveu de 1871 a 1932 e escreveu canções, zarzuelas, operetas e óperas. A sua mais conhecida obra é sem dúvida Doña Francisquita escrita em 1923, da qual ouviremos vários trechos. A iniciar um fandango, dança com raízes populares que depois ganhou asas, de seguida o pitoresco número " por el humo se sabe donde está el fuego" e a terminar, um curioso coro de românticos. 

O compositor sevilhano Gerónimo Giménez y Bellido viveu de 1854 a 1923, foi um violinista prodígio e a sua carreira iniciou-se na ópera. Teve na juventude contactos importantes em Paris e em Itália, antes de se dedicar afincadamente ao género zarzuela. Em 1896 escreveu El baile de Luis Alonso, que, dado o êxito obtido, teve continuação em La boda de Luis Alonso, do ano seguinte. O seu mais famoso título será, no entanto, a zarzuela La tempranica, apresentada no Teatro da Zarzuela em 1900. Há quem aponte influências desta última na obra de Falla. 

Federico Moreno Torroba nasceu em 1891 em Madrid e nessa cidade viria a morrer aos 91 anos. Recordado especialmente pelo repertório que escreveu para guitarra clássica, ele foi também indiscutivelmente um dos mais amados compositores de zarzuela. Luísa Fernanda, uma obra que nasceu em 1932, será o seu título mais popular. Moreno Torroba também escreveu bailados e obras sinfónicas. Foi um infatigável propagandista da zarzuela. Em 1946, curiosamente, formou uma companhia de zarzuela cujas estrelas eram os pais de Placido Domingo. 

No decorrer desta noite já encontrámos compositores de zarzuela provenientes de muitas das regiões que formam Espanha. A zarzuela tem sido, de facto, um elemento congregador. José Serrano Simeón, da região de Valência, viveu de 1873 a 1941. Filho de um maestro de bandas, libretista e compositor, a sua fama estabeleceu-se na primeira década do século XX. Para além de cerca de meia centena de zarzuelas, escreveu ainda canções e peças vocais de vária ordem (como um conhecido Hino a Valência). Deixou-nos títulos famosos como Alma de Dios (1907); L'alegría del batallión (1909); La canción del olvido (1916), Los de Aragon (1927) e, enfim, La dolorosa (1930). 

Federico Chueca, “madrileño”, viveu de 1846 a 1908 e aos 28 anos tornou-se maestro do Teatro de Variedades, para onde começou a escrever obras. Teve um período de vários anos de feliz colaboração com o compositor Joaquin Valverde. O mais popular fruto da parelha foi a zarzuela La Gran Vía, de 1886, uma obra onde soam polkas, tangos, valsas, jotas, mazurkas, escocesas. É um hino a Madrid e a uma das suas mais conhecidas avenidas Depois da colaboração com Valverde, Chueca escreveu ainda Agua, azucarillos y aguardiente em 1897. 

Para o Teatro Apolo escreveu também títulos que os espanhóis não se resignam a esquecer: El bateo, escrito em 1901, será o mais conhecido. 

Fechando o círculo, uma obra de Manuel de Falla, um dos mais importantes compositores eruditos espanhóis do século XX. Falla mergulhou diretamente a sua obra nas raízes populares e La vida breve, ópera em dois atos em que se pode ouvir o dialeto andaluz, foi estreada em 1913. Os seus Interludio e Dança continuam popularíssimos nas salas de concerto espanholas. 

Igreja Matriz
domingo
22Set2019
19h00
Elenco

Adriana Paraíso, Soprano
Gisela Sachse, Meio-Soprano
Orquestra da Ópera no Património
Artur Pinho Maria, Direção Musical

O hino Stabat Mater Dolorosa é um poema de origem medieval que retrata os sofrimentos de Maria, Mãe de Jesus, ao presenciar o seu filho na Cruz. Conclui com uma invocação pelo declamante implorando a Deus a Graça do Paraíso pela identificação do crente com Santa Maria.

Giovanni Battista Draghi, chamado Pergolesi nasceu a 4 de Naeiro de 1710 em Jesi e faleceu e, 17 de Março de 1736 em Pozzuoli, no convento dos franciscanos. Era o terceiro filho de uma família da Pergola, perto de Pésaro. O seu pai Francesco era um sapateiro que havia deixado Pergola. A origem familiar substituiu o nome de família como tantas vezes acontecia na época.

Depois de ter estudado violino com Francesco Mondini, foi convidado, aos 16 anos, para o Conservatório dos Pobres de Jesus Cristo, em Nápoles, cujas propinas foram pagas por um nobre de Jesi que resolveu apoiar as excecionais capacidades do jovem músico.

Pouco se sabe da sua vida, com a excepção de que foi atormentado por doenças graves e incapacitantes, como a poliomielite a, finalmente, a tuberculose que o viria a vitimar.

Deixou poucas obras mas a sua qualidade notável, nomeadamente das suas pequenas óperas como a Serva Padrona, e a sua vida extremamente breve fizeram de Pergolesi uma lenda, de tal forma que muitos charlatães inventaram obras que atribuíram a Pergolesi, de forma a lucrarem com a sua venda e execução pública.

Este Stabat Mater foi certamente composto por Pergolesi, como atestam a encomenda e o manuscrito pela sua pena. Foi uma encomenda da Confraternità dei Cavalieri di San Luigi di Palazzo e foi composto em 1736, ano da sua morte e ano final dos cinco anos em que esteve activo. Joahann Sebastian Bach admirava a música de Pergolesi e serviu-se desta para adaptar o texto de um salmo Tilge, Höchster, meine Sünden, BWV 1083. A obra original destina-se a duas vozes, um soprano e um contralto, tem o tom extremamente cromático de fá menor e a seguinte estrutura:

1. "Stabat Mater Dolorosa" Grave, fá menor; dueto.
2. "Cujus animam gementem" Andante amoroso, dó menor; soprano
3. "O quam tristis et afflicta" Larghetto, sol menor; dueto.
4. "Quae moerebat et dolebat" Allegro, Mi bemol Maior; alto.
5. "Quis est homo" Largo, dó menor; dueto. – "Pro peccatis suae gentis..." Allegro, dó menor.
6. "Vidit suum dulcem natum" Tempo giusto, fá menor; soprano.
7. "Eja mater fons amoris" Andantino, dó menor; alto.
8. "Fac ut ardeat cor meum" Allegro, sol menor; dueto.
9. "Sancta mater, istud agas" Tempo giusto, Mi bemol Maior; dueto.
10. "Fac ut portem Christi mortem" Largo, sol menor; alto.
11. "Inflammatus et accensus" Allegro ma non troppo, Si bemol maior; dueto.
12. "Quando corpus morietur" Largo assai, fá menor; dueto. – "Amen..." Presto assai”, fá menor.

Concertos no Património
19Set2019 quinta-feira

15h00 Claustro Real
Quarteto de Cordas

17h00 Capelas Imperfeitas
Quarteto de Cordas

20Set2019 sexta-feira

17h00 Capelas Imperfeitas
Grupo de Cordas

21h30 Claustro Afonso V
Ensaio Aberto de Antologia de Zarzuela

21Set2019 sábado

15h30 Claustro Real
Grupo de Sopros

Claustro Afonso V

O Claustro Afonso V foi edificado sob a coordenação de Fernão de Évora, a que coube a direção das obras. Foi um dos primeiros claustros com dois andares a ser edificado em Portugal e cuja construção obedeceu a critérios de maior simplicidade estrutural e acentuada austeridade decorativa, face aos restantes espaços do Mosteiro da Batalha.

Aqui estavam instaladas as dependências dos frades dominicanos.

Igreja Matriz da Exaltação de Santa Cruz

A Igreja Matriz da Exaltação de Santa Cruz foi iniciada em 1514, após contínuos pedidos dos habitantes da Vila da Batalha que ambicionavam uma igreja paroquial. O templo foi concluído em 1532, evidenciando uma arquitetura religiosa manuelina (no portal), barroca e revivalista.

Claustro Real do Mosteiro da Batalha

O Claustro Real do Mosteiro da Batalha foi construído no final do século XIV, sendo uma obra majestosa da autoria dos mestres Afonso Domingues e Huguet. Também designado por Claustro de D. João I, conta com 55 metros de lado, 4 galerias e apenas um piso - característica comum dos claustros da Idade Média. O estilo arquitetónico é fundamentalmente gótico.

Capelas Imperfeitas

A construção das Capelas Imperfeitas ocorreu cerca de 50 anos após o início das obras do Mosteiro, por iniciativa de D. Duarte, que desejava ser sepultado neste espaço com a sua esposa, D. Leonor de Aragão. Assentam a sua forma num octógono, estando aqui instaladas sete capelas ligadas entre si por um espaço mais pequeno que servia de sacristia, num projeto arquitetónico da autoria de Huguet.