Pinhel.
Foz Côa.
Leiria.
Coimbra.
Batalha.
Viseu.
Claustro Afonso V
sábado
07Out2017
21h30
Elenco

Ana Pinto, Soprano
Luís Rodrigues, Barítono
Orquestra da Ópera no Património
José Maria Moreno, Direção Musical
Paulo Lapa, Direção de Cena
Miguel Massip, Cenografia
Roberto Punzi, Design de luz
Ana Berta Cardoso, Figurinos

Mozart nasceu em Salzburg, em 1756, e faleceu em Viena, em 1791. Na sua vida de 35 anos, Mozart escreveu 22 óperas, tendo iniciado a sua carreira operática de compositor apenas aos 11 anos! As três óperas que realizou com libretos de Lorenzo da Ponte (1749-1838) são, talvez, as que mais perduraram no consciente coletivo. São as Bodas de Fígaro, D. Giovanni e Così fan tutte.
O padre Da Ponte, um notável escritor, era padre católico, em Veneza, onde também ensinava latim, italiano e francês. Sendo padre da igreja de S. Lucas, vivia com uma amante da qual tinha dois filhos. Viria a ter de escapar de Veneza por ter sido condenado, por ter “raptado uma senhora de bem”, “ter uma vida dissoluta”, “viver num bordel e aí organizar as festividades e divertimentos”.
Seria em Viena que o bom padre e Mozart se encontraram. É bom de dizer que uma das cantoras que participaram nas estreias desta trilogia era amante de Da Ponte.
As Bodas de Fígaro, de 1786, passam-se no palácio do conde de Almaviva, perto de Sevilha, já este se encontra casado com Rosina, na sequência da história que podemos encontrar no Barbeiro de Sevilha de Rossini. O seu criado e amigo, o antigo barbeiro Fígaro, vai casar, e Almaviva pretende os favores da noiva de Fígaro, gerando-se uma comédia de costumes com uma fortíssima componente de crítica social, habilmente urdida pelo libreto de Da Ponte, de forma a mascarar, com ironia e muito riso, a mensagem subliminar que denuncia uma estrutura social hierarquizada. Só com extrema subtileza poderiam Da Ponte e Mozart passar pelo crivo da censura vienense. Conseguiram-no com um génio tal que as obras desta trilogia passaram à história como três das mais perfeitas obras da história da música e da literatura.
Com D. Giovanni, de 1787, encontramos o famoso sedutor espanhol e as suas aventuras e desventuras, que culminam com a sua danação eterna, sem perdão, no Inferno. A música é escrita de uma forma rica, que mistura humor, suspense, encontros e desencontros, e retrata as paixões humanas, incluindo a compaixão e amor dedicado de D. Elvira e o lado poltrão do criado, Leporello. Toda a trama é um fresco das relações sociais e humanas ao tempo de Mozart, e o lado psicológico da obra e dos personagens tem sido motivo para acaloradas discussões entre os teóricos. D. Giovanni aceita a sua sorte com uma coragem invulgar, que o redime de certa forma de todos os pecados que vem cometendo. Como ele próprio afirma, não pode amar apenas uma, pois deixaria todas as outras inconsoláveis…
A comédia clássica de Così fan tutte fecha, em 1790, a trilogia. Dois jovens testam a fidelidade das suas namoradas, após uma aposta com o filósofo Don Alfonso. Ao contrário das outras duas obras, a receção desta ópera foi mais reservada. A ópera foi considerada imoral, inacabada, cruel ou estranha no seu enredo. Talvez, por isso mesmo, seja a mais moderna da trilogia, com os seus enganos. Elas são capazes de fazer tudo e a sua fidelidade não é, propriamente, um dado adquirido. Afinal, têm exatamente os mesmo direitos do que os homens, algo que deixou estupefactos os ouvintes dos séculos anteriores. O que é seguro é que a música de Mozart transforma o texto do libreto numa obra-prima que narra, descreve, cria ação e ambiente psicológico para o drama decorrer, sem necessidade de mais palavras.

Igreja Matriz
domingo
08Out2017
21h30
Elenco

Ana Pinto, Soprano
Luís Rodrigues, Barítono
Coro Sinfónico Inês de Castro
Orquestra da Ópera no Património
Artur Pinho Maria, Direção

“Ein deutsches Requiem” de Johannes Brahms, opus 45 ou “Um Requiem alemão” sobre palavras das Sagradas Escrituras

Brahms nasceu em Hamburgo, em 1833, filho de um contrabaixista que cedo se apercebeu da musicalidade do rebento. Não só começou a estudar como aos 10 já tocava em bares e tabernas da cidade portuária de Hamburgo, em conjunto com o seu pai. Essa existência boémia continuaria, apesar dos estudos eruditos de Brahms, e apenas relativamente tarde começou a afirmar-se como compositor sério. Viria a ser um dos expoentes do Romantismo Alemão.
Apesar do reconhecimento, em 1853, por parte de Schumann, foi apenas com este Requiem Alemão que Brahms começou a sua fama internacional. Apelidado de reacionário por ter contestado Wagner e Liszt, acabou por ver em Hanslick, o famoso esteta de Viena, professor e fundador dos estudos de Estética na Universidade desta cidade, crítico famoso e declarado inimigo de Wagner, o seu mais importante aliado. No entanto, Brahms não seria assim tão alheio à música de Wagner como se supõe. Arnold Schönberg viria a desmontar essa crença no seu ensaio sobre “Brahms o Progressista”. Um facto insofismável é que a música de Brahms nunca serviu a narrativa e o drama operático, sendo geralmente puramente sinfónica ou poética, como nos seus excecionais lieder.
O Requiem foi, provavelmente, inspirado pela morte da mãe, em 1865, data do início da composição, que apenas viria a terminar em 1868. O texto é em alemão. Brahms era um cristão luterano mas a sua obra não é litúrgica stricto sensu, é antes uma reflexão, uma meditação, ou melhor, uma obra de consolação perante a morte, mais de acordo com a teologia luterana, para orquestra, coro, soprano e barítono solistas, durando cerca de setenta minutos. Os textos foram escolhidos pelo compositor e são recolhidos dos Evangelhos Canónicos e apócrifos.

Concertos no Património
05Out2017 quinta-feira

15h00 Mosteiro da Batalha
Quarteto de Cordas

17h00 Mosteiro da Batalha
Quarteto de Cordas

06Out2017 sexta-feira

17h00 Mosteiro da Batalha
Quarteto de Sopros
21h00 Claustro Afonso V
Concerto didático-pedagógico sobre a Visitação à Ópera de Mozart

07Out2017 sábado

17h00 Mosteiro da Batalha
Orquestra de Cordas

Mosteiro da Batalha - Património da Humanidade e Panteão Nacional

Marco da História de Portugal e Panteão Régio, o monumento assinala a vitória das tropas portuguesas sobre as castelhanas na Batalha de Aljubarrota, em 1385.
Obra grandiosa do Gótico Português, dele extravasa a nova corrente artística do Manuelino. É o terceiro monumento mais visitado de Portugal e integra o núcleo restrito do Património Mundial da Humanidade, classificado em 1983.
Por vontade do Rei D. João I ergueu-se o Mosteiro de Santa Maria da Vitória em finais do século XIV. A obra mobilizou grandiosos recursos humanos e materiais e prolongou-se por quase 200 anos.
Proporcionou a introdução e o aperfeiçoamento de várias artes e de novas técnicas, como aconteceu com o vitral. Segundo alguns historiadores, esta técnica terá sido introduzida no nosso país, pela primeira vez, neste edifício majestoso.
O monumento integra diversos estilos, uma junção que é atribuída à diversidade dos mestres que dirigiram as obras, com destaque para Afonso Domingues, Huguet, Martins Vasques, Fernão D'Évora e Mateus Fernandes.
Em 2007 o Mosteiro da Batalha foi eleito uma das Sete Maravilhas de Portugal e mais recentemente, em 2016, foi-lhe atribuído pela Assembleia da República, o estatuto de Panteão Nacional.

Igreja Matriz da Exaltação de Santa Cruz

Iniciada a sua construção em 1514, por iniciativa do rei D. Manuel, a pedido dos habitantes da vila, uma vez que o Mosteiro não dispunha de serviço paroquial para a população local, é um testemunho importante da fase manuelina da vila da Batalha.
A data de 1532, inscrita no portal principal, assinala a conclusão das obras, que se pensa terem sido conduzidas por Boitaca. É uma igreja de nave única coberta de madeira, com capela-mor quadrangular com abóbada estrelada. Ao longo da história, o templo foi enriquecido por campanhas parcelares, de que se destacam a tardo-barroca levada a cabo na década de 70 do séc. XVIII e a revivalista já no séc. XX, contemplando esta última, no exterior, a substituição do arruinado campanário, provavelmente setecentista, pela torre sineira atual e, no interior na capela-mor, a colocação do retábulo de pedra renascentista, altar de embutidos em mármore que foi transferido do Mosteiro, da Capela dos Mártires, de descendentes de Lopo Dias de Sousa. Referência ainda no interior, para o formoso arco cruzeiro, para a pia batismal de cantaria igualmente proveniente do Mosteiro e para o revestimento azulejar vindo do extinto Convento Ara-Coelis, em Alcácer do Sal.

Claustro Afonso V

O Claustro Afonso V foi edificado sob a coordenação de Fernão de Évora, a que coube a direção das obras. Foi um dos primeiros claustros com dois andares a ser edificado em Portugal e cuja construção obedeceu a critérios de maior simplicidade estrutural e acentuada austeridade decorativa, face aos restantes espaços do Mosteiro da Batalha.

Aqui estavam instaladas as dependências dos frades dominicanos.